Análise Fundamentalista

1. Preâmbulo

Este material foi produzido sem fins lucrativos, não me responsabilizo pelo seu uso ou emprego, têm propósito apenas didático.
Existe uma seqüência lógica para os investimentos, uma sugestão é aprender quais as possibilidade e depois fazer sua opção, sugestão:
Primeiro:
O que é renda fixa?
Renda fixa é o investimento mais fácil, mesmo assim requer muita atenção porque pode gerar prejuízo, no link  http://www.miscelaneadoconhecimento.com.br/investe1/menuAba1.html, são abordados além dos investimentos de renda fixa, o seu cálculo de rentabilidade, conceitos de impostos, taxas, sistema financeiro, selic, CDI, inflação, juros simples, juros compostos, etc.
Segundo:
O que é renda variável?
Os investimentos em renda variável são realizados através de um home broke pertencente a uma corretora de valores que faz a intermediação entre o cliente e a Bovespa, além de compra e venda de ações são negociados outros tipos de produtos.
Antes de fazer qualquer investimento é preciso estudar as possibilidades, os riscos e as circunstancias atuais e futuras, quais são as regras, as vantagens e desvantagens.
Os analistas financeiros sempre recomendam reservar parte dos investimentos em renda fixa como medida de segurança, a diversificação de investimento diminui a chance de prejuízo. Investir em renda variável requer conhecimento, habilidade e a análise do momento de mercado.
Quando o mercado financeiro está em um ciclo regular e com boa rentabilidade não precisa saber muito para escolher um investimento melhor do que a renda fixa, quando o mercado financeiro está oscilando muito, então dependerá da habilidade do investidor de ficar alterando o seu investimento em renda variável para conseguir bons resultados.
O risco do investimento é calculado, sua probabilidade e previsibilidade deve ser favorável, somente algum fato posterior pode implicar em prejuízo.
Para diminuir a probabilidade de prejuízo no investimento de renda variável, utiliza-se a análise técnica e a análise fundamentalista, quanto menor o prazo de investimento, mais a análise técnica é importante.
1.1. Análise Fundamentalista
Cabe à análise fundamentalista estabelecer o valor justo para uma empresa, respaldando decisões de investimentos. A premissa básica da análise fundamentalista é de que o valor justo para uma empresa se dá pela definição da sua capacidade de gerar lucros no futuro.
Através do Demonstrativo Financeiro de uma empresa, pode-se calcular os seus indicadores financeiros que demonstram principalmente a liquidez, a rentabilidade e o endividamento da empresa. O objetivo desta apostila não é estudar contabilidade, o conteúdo visa apenas conseguir extrair dados do Balanço Financeiro a fim de orientar o investimento em ações.
1.2. Análise Técnica
A analise técnica utiliza gráficos das cotações de uma determinada ação de forma que permite deduzir o momento oportuno de compra ou venda de uma ação. Acesse a apostila de análise técnica pelo link Home Broker e Análise Técnica.

Principais comparações:
Fundamentalista Ténica
Avalia balanço patrimonial, fluxo de caixa, resultados, conjuntura econômica Avalia o gráfico do ativo
Horizonte de investimento de longo prazo Horizonte de curto prazo: semanas, dias ou até minutos
Precisa aguardar períodos (meses) para liberação de resultados e assim fazer análises Por meio do gráficos, faz análise em tempo real, a fim de tomar decisões de compra/venda
Perfil é de investidor conservador, moderado Perfil mais arrojado ou trader
Compra ações para formar patrimônio no longo prazo Compra para vender a um preço maior no curto prazo


1.3. Noções sobre a Lei da Sociedade Anônima ou Cia: Lei 6.404/1976 => Link
A demonstração financeiro, também conhecida como demonstração contábil foi instituída pela lei da sociedade anônima ou companhia, LEI 6.404 de 1976, que dispõe sobre as Sociedades por Ações. O adjetivo anônima não significa que a companhia seja inominada.
Vejamos alguns artigos:
Art. 1º A companhia ou sociedade anônima terá o capital dividido em ações, e a responsabilidade dos sócios ou acionistas será limitada ao preço de emissão das ações subscritas ou adquiridas.
Art. 3º A sociedade será designada por denominação acompanhada das expressões "companhia" ou "sociedade anônima", expressas por extenso ou abreviadamente mas vedada a utilização da primeira ao final.
...
Art. 4º Para os efeitos desta Lei, a companhia é aberta ou fechada conforme os valores mobiliários de sua emissão estejam ou não admitidos à negociação no mercado de valores mobiliários.
§1º Somente os valores mobiliários de emissão de companhia registrada na Comissão de Valores Mobiliários podem ser negociados no mercado de valores mobiliários.
...
Art. 15. As ações, conforme a natureza dos direitos ou vantagens que confiram a seus titulares, são ordinárias, preferenciais, ou de fruição.
§1º As ações ordinárias da companhia fechada e as ações preferenciais da companhia aberta e fechada poderão ser de uma ou mais classes.
...
Art. 17. As preferências ou vantagens das ações preferenciais podem consistir:
.. 
III - na acumulação das preferências e vantagens de que tratam os incisos I e II.
§ 1º Independentemente ...
I - direito de participar do dividendo a ser distribuído, correspondente a, pelo menos, 25% (vinte e cinco por cento) do lucro líquido do exercício, calculado na forma do art. 202, de acordo com o seguinte critério:
a) prioridade no recebimento dos dividendos mencionados neste inciso correspondente a, no mínimo, 3% (três por cento) do valor do patrimônio líquido da ação; e
b) direito de participar dos lucros distribuídos em igualdade de condições com as ordinárias, depois de a estas assegurado dividendo igual ao mínimo prioritário estabelecido em conformidade com a alínea a; ou
II - direito ao recebimento de dividendo, por ação preferencial, pelo menos 10% (dez por cento) maior do que o atribuído a cada ação ordinária; ou 
...

Principais características:
- Pessoa Jurídica de direito privado;
- Objeto sempre terá cunho empresarial e capitalista;
- Responsabilidade limitada ao preço emissão da ação subscrita;
- Nome sempre constituído por denominação;

Denominação: pode ser espelhada por uma expressão qualquer ou com o nome de seu fundador, ou algum outro nome, desde que mencione "sociedade anônima" ou "S.A", em qualquer posição do nome, ou "companhia" ou "cia", antes ou entre os elementos do nome escolhido, não sendo no final.

Exemplos:
Empresa Brasileira de Telecomunicações Sociedade Anônima
Cia. Metal do Brasil
Carlos Souza Cia. de Bebidas
Metálica S.A Fundição
S.A Marcos Almeida Metalúgica

1.4. Noções Preliminares
Mesmo a lucratividade (%) sendo positiva, a rentabilidade (%) pode diminuir a lucratividade. Uma empresa que é lucrativa não significa que ela seja rentável. Muitas vezes, as despesas administrativas ou com juros podem acabar com a rentabilidade de uma companhia.

Exemplo de Rentabilidade:
Lucro Líquido mensal: RS 2.000,00;
Investimento total: R$ 80.000,00;
Taxa de rentabilidade: 2,5% ao mês.
O prazo de retorno do investimento realizado é calculado da seguinte forma:
Prazo = Investimento/Lucro Líquido
Prazo = R$ 80.000,00/R$ 2.000,00 = 40 meses

No Site do Banco Centtral do Brasil: http://www.bcb.gov.br/pt-br/#!/home, há várias informações essenciais, consulte você mesmo:
Acesso à
Informação do
BCB
Sistema de Metas
para a Inflação
Sistema
Financeiro
Nacional
> Taxas de Juros
> Tarifas Bancárias
> Copom
> Histórico das Metas para
Inflação
> Sala do Investidor
> Informação para
análise economico-financeira



2. Análise de Balanço ou Demonstrações Financeiras

A análise de balanço é uma das principais ferramentas para auxiliar na tomada de decisões, conforme a Lei 6.404/1976.
O balanço patrimonial é dividido por três grandes categorias:
- Ativos: onde é registrado tudo que a empresa possui, como bens, produtos em estoque, recursos aplicados, investimentos financeiros. Enfim, tudo que pode gerar benefícios econômicos no futuro.
- Passivos: compreendem as dívidas e obrigações financeiras da empresa. Seja com terceiros (prestadores de serviços, fornecedores etc.), governo ou mesmo com seus funcionários.
- Patrimônio Líquido: é a diferença entre os ativos e os passivos, ou seja, o capital que a empresa possui em caixa. O ideal é que a empresa tenha ativos sempre maiores que os passivos, bem como este montante cresça positivamente a cada mês, ou seja, acumulando e incrementando o patrimônio da organização.

Lei 6.404/1976 Art. 178.III – patrimônio líquido
capital social bens incorporados ao patrimônio da companhia, aprovado pela  assembléia-geral dos subscritores (futuros sócios).
reservas de capital Art. 182. ... § 1º Serão classificadas como reservas de capital as contas que registrarem:
a) a contribuição do subscritor de ações que ultrapassar o valor nominal...
b) o produto da alienação de partes beneficiárias e bônus de subscrição;
§ 2° Será ainda registrado como reserva de capital o resultado da correção monetária do capital realizado, enquanto não-capitalizado.
ajustes de avaliação patrimonial  Art. 182. ...§ 3o  Serão classificadas como ajustes de avaliação patrimonial, enquanto não computadas no resultado do exercício em obediência ao regime de competência, as contrapartidas de aumentos ou diminuições de valor atribuídos a elementos do ativo e do passivo, em decorrência da sua avaliação a valor justo, nos casos previstos nesta Lei ou
reservas de lucros Art. 182. ...§ 4º Serão classificados como reservas de lucros as contas constituídas pela apropriação de lucros da companhia.
ações em tesouraria
prejuízos acumulados

Subdivisões do Balanço Patrimonial (BP)
Também podemos dividir os ativos e passivos em categorias para facilitar os cálculos e demonstrações.
Para os ativos temos:
Ativo circulante: são os bens e recursos aplicados da empresa, que podem ser convertidos facilmente em dinheiro em curto período de tempo.
Ativo não circulante: são os recursos de permanência duradoura, como por exemplo, cotas societárias.
Realizável a longo prazo: similar ao ativo circulante, porém entra nessa categoria os recursos que demoram mais de um ano contábil para serem convertidos em dinheiro.
Ativo fixo: são os bens necessários para a empresa realizar suas atividades, tais como máquinas, edifícios, terrenos, etc.

Já para os passivos, podemos dividir em:
Passivo circulante: são as obrigações que a empresa tem que pagar durante o ano contábil, tais como salários dos funcionários, fornecedores, impostos etc.
Exigível a longo prazo: semelhante ao passivo circulante porem a empresa só vai pagar no ano contábil seguinte.
O ideal é sempre manter atualizado o relatório do Balanço Patrimonial mês a mês até o final do ano para tornar a emissão anual menos trabalhosa. Lembrando que o BP não deve ser visto apenas como uma obrigação contábil, e sim com uma importantíssima ferramenta de gestão para a empresa medir sua evolução e basear a tomada de decisões.

Para validar se o seu Balanço Patrimonial está correto, uma dica é começar conferindo os totais. O total dos Ativos em uma empresa sempre deve ser igual ao total dos Passivos.

Termos Usuáis
Despesas: gastos dos recursos para a produção de bens e serviço, sua comercialização, estoque, manutenção, etc.
Líquido: livre das despesas.
Receita: tudo que é arrecada, a título de pagamento pela venda de um produto ou prestação de um serviço. Portanto, a receita representará todas as entradas de recursos que ocorreram na sua empresa naquele dia, mês ou ano, decorrente da sua atividade fim.
Entradas: são todos os recursos que chegam no caixa da empresa, sejam eles receitas ou não.
Saídas: são todos os recursos que saem, independente de serem despesas.
Receita = Venda (para uma empresa que vende produtos ou serviços)
Receita = Despesa => Resultado Nulo
Receita > Despesa => Superávit (Lucro)
Receita < Despesa => Déficit (Prejuízo)

2.1. Análise Contábil
Tem por objetivo a análise de relatórios e demonstrações com a finalidade de fornecer informações numéricas preferencialmente de dois ou mais períodos de modo a instrumentar os administradores e acionistas, entre outros, que estejam interessados em conhecer a situação da empresa para que possam tomar decisões.
2.2. Análise Financeira
É tradicionalmente efetuada através de indicadores para análise global a curto, médio e longo prazo da velocidade do giro dos recursos.
2.3. Análise da Alavancagem Financeira
É utilizada para medir o grau de utilização do capital de terceiros e seus efeitos na formação da taxa de retorno do capital próprio.
2.4. Análise Econômica
É utilizada para mensurar a lucratividade, a rentabilidade do capital próprio, o lucro líquido por ação e o retorno de investimentos operacionais.


3. Demonstrações Financeiras


A Lei da Sociedade Anônima ou Cia, Lei 6.404/1976, em seu artigo 176 mostra o que são demonstações financeiras:
Art. 176. Ao fim de cada exercício social, a diretoria fará elaborar, com base na escrituração mercantil da companhia, as seguintes demonstrações financeiras, que deverão exprimir com clareza a situação do patrimônio da companhia e as mutações ocorridas no exercício:
I - balanço patrimonial;
II - demonstração dos lucros ou prejuízos acumulados;
III - demonstração do resultado do exercício; e
IV - demonstração dos fluxos de caixa; e
V - se companhia aberta, demonstração do valor adicionado.
...

Em resume, o objetivo da Análise das Demonstrações Financeiras é oferecer um diagnóstico sobre a real situação econômica-financeira da organização, utilizando relatórios gerados pela Contabilidade e outras informações necessárias à análise, relacionando-se prioritariamente a utilização por parte de terceiros.
O produto da análise é apresentado em forma de um relatório que inclui uma análise da estrutura, a composição do patrimônio e um conjunto de índices e indicadores que são cuidadosamente estudados e pelos quais é formada a conclusão do analista.
As informações da análise estão voltadas para dentro e fora da empresa e não se limitam apenas a cálculo de meros indicadores de desempenho.

3.1. Balanço Patrimonial

Lei 6.404/1976, em seu artigo 183  e 184 descreve o balanço patrimônial:
Art. 183. No balanço, os elementos do ativo serão avaliados segundo os seguintes critérios:
...
Art. 184. No balanço, os elementos do passivo serão avaliados de acordo com os seguintes critérios:
...

Ativos
O que a empresa possui, como bens, itens no estoque e aplicações que podem gerar benefícios econômicos no futuro (equipamentos, terrenos, dinheiro, estoque).
Divididos entre os circulantes e de longo prazo.
Os de longo prazo são os imóveis ou equipamentos que têm menos chance de serem vendidos facilmente e têm menos chances de serem convertidos rapidamente em um ativo circulante.
- Ativo circulante: é que há em uma empresa e pode rapidamente ser transformado em dinheiro.
Dinheiro: é considerado como dinheiro o que a empresa tem em sua conta corrente ou poupança. É aquilo que está disponível para uso imediato.
Contas a receber: é o que os clientes já compraram e ainda não pagaram.
Notas recebíveis: são os recebíveis que são devidos à empresa e não podem ser cobrados antes do prazo de um ano. São ativos de longo prazo. .
- Ativo Imobilizado (longo prazo): veículos, imóveis ou terrenos.
Terra: é um ativo fixo que nunca se desgasta, ou seja, não sofre depreciação.
Imóvel: é um ativo imobilizado e sofre depreciação.
Equipamentos de escritório: nesse caso entra o computador, impressora, máquina de Xerox entre outros.
Máquinas: nesse item entram as prensas e outras máquinas que a empresa possua.
Veículos: todos os que forem da empresa.
Total imobilizado: o total em moeda dos ativos fixos, subtraindo a depreciação.
Total de ativos: o valor em moeda dos ativos de curto e longo prazo.

Passivo
As obrigações financeiras da empresa, como pagamentos que precisam ser feitos, o que a empresa deve, as dívidas, as contas a pagar.
Pode ser considerado como Passivo todas as dívidas de longo prazo. Suas subdivisões são:
Contas a pagar: o que precisa pagar a curto prazo.
Notas a pagar: dinheiro devido a terceiros.
Salários e contribuições: salários que ainda não foram pagos aos funcionários.
Total de passivo circulante: soma dos passivos circulantes.
Exigível de longo prazo: dívidas que tem mais de um ano de prazo para serem quitadas.

Patrimônio Líquido
Patrimônio líquido dos sócios: investimento inicial no negócio por parte dos sócios ou lucros que foram reinvestidos.
Lucros: os que foram reinvestidos nos negócios.

Esquema simplificado:
Balanço Patrimonial
Ativos
bens + direitos
Passivo
Obrigações com terceiros
Patrimônio Líquido (PL)
Parte dos Proprietários (diretores, acionistas, etc.)
Total Ativo $ Total Passivo $
 Ativo Total =   Total Passivo
Patrimônio líquido = Ativo – Passivo

Análise:
Balanço Patrimonial (após Lei 11.638/07 e Lei 11.941/09)
Ativo
Ativo circulante
Ativo não circulante
- Realizável a longo prazo
- Investimento
- Imobilizado
- Intangível
Passivo
- Passivo circulante
- Passivo não circulante
Patrimônio Líquido
Capital Social
(-) Capital a Realizar
Reserva de Lucro
Reserva de Capital
Ajuste de Avaliação Patrimonial
(-) Prejuízo Acumulado
(-) Ações em Tesouraria.


3.2. Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados

Art. 186. A demonstração de lucros ou prejuízos acumulados discriminará:
I - o saldo do início do período, os ajustes de exercícios anteriores e a correção monetária do saldo inicial;
II - as reversões de reservas e o lucro líquido do exercício;
III - as transferências para reservas, os dividendos, a parcela dos lucros incorporada ao capital e o saldo ao fim do período.
§ 1º Como ajustes de exercícios anteriores serão considerados apenas os decorrentes de efeitos da mudança de critério contábil, ou da retificação de erro imputável a determinado exercício anterior, e que não possam ser atribuídos a fatos subseqüentes.
§ 2º A demonstração de lucros ou prejuízos acumulados deverá indicar o montante do dividendo por ação do capital social e poderá ser incluída na demonstração das mutações do patrimônio líquido, se elaborada e publicada pela companhia.


Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados - DLPA - Roteiro de procedimentos:
I. Obrigatoriedade
II. Objetivo
III. Conteúdo
IV. Elaboração
V. Modelo
VI. Origem das informações
VI.1 Saldo no início do período
VI.2 Ajustes de exercícios anteriores
VI.3 Reversões de reservas
VI.4 Lucro líquido do exercício
VI.5 Transferências para reservas
VI.6 Juros sobre o Capital Próprio
VI.7 Dividendos distribuídos e por ação
VI.8 Substituição pela Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido

MODELO DE DEMONSTRAÇÃO DE LUCROS OU PREJUÍZOS ACUMULADOS
Valores em R$
Saldo Inicial
0,00
(+) Reversão de Reservas
0,00
(+) Lucro Líquido do Exercício
0,00
(-) Reserva Legal
0,00
(-) Outras Reserva de Lucros
0,00
(-) Parcelas a incorporar Capital Social
0,00
(-) Dividendos Distribuídos
0,00
(=) Saldo final
0,00

3.3. Demonstração do Resultado do Exercício


 Art. 187. A demonstração do resultado do exercício discriminará:
I - a receita bruta das vendas e serviços, as deduções das vendas, os abatimentos e os impostos;
II - a receita líquida das vendas e serviços, o custo das mercadorias e serviços vendidos e o lucro bruto;
III - as despesas com as vendas, as despesas financeiras, deduzidas das receitas, as despesas gerais e administrativas, e outras despesas operacionais;
IV – o lucro ou prejuízo operacional, as outras receitas e as outras despesas; (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009)
V - o resultado do exercício antes do Imposto sobre a Renda e a provisão para o imposto;
VI – as participações de debêntures, empregados, administradores e partes beneficiárias, mesmo na forma de instrumentos financeiros, e de instituições ou fundos de assistência ou previdência de empregados, que não se caracterizem como despesa; (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009)
VII - o lucro ou prejuízo líquido do exercício e o seu montante por ação do capital social.
§ 1º Na determinação do resultado do exercício serão computados:
a) as receitas e os rendimentos ganhos no período, independentemente da sua realização em moeda; e
b) os custos, despesas, encargos e perdas, pagos ou incorridos, correspondentes a essas receitas e rendimentos.



Art. 188.  As demonstrações referidas nos incisos IV e V do caput do art. 176 desta Lei indicarão, no mínimo:
...
Art. 189. Do resultado do exercício serão deduzidos, antes de qualquer participação, os prejuízos acumulados e a provisão para o Imposto sobre a Renda.
Parágrafo único. o prejuízo do exercício será obrigatoriamente absorvido pelos lucros acumulados, pelas reservas de lucros e pela reserva legal, nessa ordem.
Art. 190. As participações estatutárias de empregados, administradores e partes beneficiárias serão determinadas, sucessivamente e nessa ordem, com base nos lucros que remanescerem depois de deduzida a participação anteriormente calculada.
Parágrafo único. Aplica-se ao pagamento das participações dos administradores e das partes beneficiárias o disposto nos parágrafos do artigo 201.
Art. 191. Lucro líquido do exercício é o resultado do exercício que remanescer depois de deduzidas as participações de que trata o artigo 190.

A Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados é uma das demonstrações financeiras cuja elaboração é obrigatória para todas as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real (caput do art. 274 do RIR/1999).
  As normas de elaboração das demonstrações financeiras constam da Lei das Sociedades por Ações (Lei nº 6.404/1976), mas aplicam-se aos demais tipos societários.
  Observamos, ainda, que a Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados também está disciplinada pela NBC T 3.4, aprovada pela Resolução nº 686/1990 do Conselho Federal de Contabilidade (CFC).
 
A Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados deve discriminar:
a) o saldo do início do período e os ajustes de exercícios anteriores;
 
Neste caso, em relação aos períodos-base encerrados até 31.12.1995, indicava-se, também, a correção monetária do saldo inicial. A correção monetária das demonstrações financeiras foi revogada, a partir de 1º.01.1996, inclusive para fins societários, pelo art. 4º da Lei nº 9.249/1995.
b) as reversões de reservas e o lucro líquido do exercício;
c) as transferências para reservas, os dividendos, a parcela dos lucros incorporada ao capital e o saldo ao fim do período.
A Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados também deverá indicar (quando for o caso) o montante do dividendo por ação do capital social.

Demonstração de Resultado - DRE (após alteração da Lei 6404/76)
Receita Operacional Bruta
(-) Deduções e abatimentos da Receita bruta
(-) Devoluções de venda/Impostos e Contribuições incidentes sobre venda
(-) Descontos/abatimentos
= Receita Operacional Líquida
(-) Custos produtos vendidos
(-) Custos das Mercadorias Vendidas
(-) Custos dos Serviço Prestados
= Lucro Operacional Bruto (Margem ou Resultado)
(-) Despesas com vendas
(-) Despesas Administrativas
(-) Tributárias
(-) Despesas Operacionais Financeiras
  (-) Despesas Financeiras
  (+) Receitas Financeiras
  (+/-) Variações Cambiais
(+/-) Outras receitas ou (despesas)
...
= Lucro Líquido Antes do Imposto de Renda e da Contribuição Social
(-) Provisão para imposto de Renda e Contribuição Social sobre o Lucro
(=) Lucro Líquido pós provisão e antes das Participações.
(-) Participações de Debêntures, Empregados, Administradores e Partes beneficiárias e Fundo de Assistência e Previdência de Empregados.
(=) Lucro Líquido do Exercício

Modelo:
DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO - EM 31/12/2017
Companhia:
Descrição Exercício
Atual
Exercício
Anterior
FATURAMENTO BRUTO

(+) Venda de produtos

(+) Venda de mercadorias

(+) Prestação de serviços

(-) IPI (imposto por fora)


(=) RECEITA OPERACIONAL BRUTA

DEDUÇÕES E ABATIMENTOS DA RECEITA BRUTA

(-) Descontos Incondicionais Concedidos

(-) Abatimentos Concedidos

(-) Devoluções e Vendas Canceladas

(-) ICMS s/ Vendas

(-) PIS/Pasep s/ Vendas

(-) Cofins s/ Vendas

(-) ISSQN s/ Prestação de serviços


(=) RECEITA OPERACIONAL LÍQUIDA

CUSTO DAS MERCADORIAS/PROD. VENDIDOS OU DOS SERVIÇOS PRESTADOS

(-) Custo do Produto Vendido (fixo + variável)

(-) Custo da Mercadoria Vendida (fixo + variável)

(-) Custo do Serviço Vendido (fixo + variável)


(=) RESULTADO OPERACIONAL BRUTO

DESPESAS OPERACIONAIS

(-) Despesas de Vendas

(-) Despesas Gerais e Administrativas

(-) Encargos Financeiros Líquidos

(-) Outras Despesas Operacionais


(+) OUTRAS RECEITAS OPERACIONAIS


(=) LUCRO (PREJUÍZO) OPERACIONAL

RESULTADO NÃO OPERACIONAL

(+) Outras Receitas

(-) Outras Despesas


(=) LUCRO ANTES DO IRPJ E DA CSLL

(-) PROVISÃO PARA IRPJ

(-) PROVISÃO PARA CSLL


(=) RESULTADO APÓS O IRPJ E A CSLL

(-) Participações e contribuições


(=) LUCRO (PREJUÍZO) LÍQUIDO DO EXERCÍCIO


LUCRO (PREJUÍZO) LÍQUIDO POR AÇÃO

Como podemos verificar, a DRE é formada de maneira sequencial e lógica (receitas, menos as deduções, custos e despesas).



3.4. Demonstração do Valor Adicionado (Companhia aberta)
A Lei 11.638, de 28 de Dezembro de 2007, que entrou em vigor em 02/01/2008, alterando significantemente algumas normas da Lei 6.404/76 - geralmente chamada de Lei Das S.A -  e também na regras gerais da contabilidade as mudanças foram substancialmente, observado a inclusão  e alteração nos artigos 176 e 188 da Lei 6.404/76, que mencionam sobre a utilização da DVA - Demonstração de Valores Adicionados para as sociedades anônimas de capital aberto.

Como elaborar a DVA
Para fazer a DVA, são utilizadas informações disponíveis na Demonstração de Resultados do Exercício (DRE), documento que também é elaborado pela contabilidade da empresa.
Na prática, a DVA é uma forma diferente de visualizar as informações da DRE. Em vez de demonstrar o resultado da empresa no período, ou seja, como chegou a determinado lucro ou prejuízo, na DVA os dados são organizados entre o que a empresa recebeu e o que ela pagou.

Estrutura da DVA
A DVA começa distribuindo as informações dos valores que a empresa recebeu. Nesse primeiro grupo da planilha estão, por exemplo, a receita bruta com vendas e os ganhos de capital. O segundo grupo apresenta os insumos que a empresa adquiriu de terceiros, o que inclui não apenas mercadorias e matéria-prima como também serviços e energia, dentre outros.
A diferença entre os valores do primeiro e do segundo grupo representa o valor adicionado bruto. Desse valor serão descontadas as despesas com amortização, depreciação e exaustão, resultando no valor adicionado líquido produzido pela organização.
Além desse valor que produziu, a empresa pode ter recebido ainda outras quantias por transferência, como juros e doações. A soma desses dois grupos resulta no valor adicionado total que será distribuído.
Depois de detalhar como a empresa gerou riqueza, a segunda metade da DVA tem como objetivo mostrar como ocorreu sua distribuição. Esta etapa começa demonstrando quanto foi gasto com pessoal (salários, benefícios etc.) e, depois, quanto foi pago em impostos e outras contribuições para as três esferas do governo.
A distribuição da riqueza inclui ainda a remuneração da riqueza de terceiros – por exemplo, os juros pagos e os aluguéis – e, por fim, a remuneração dos capitais próprios da companhia, que é onde são informados os lucros retidos pela empresa e os lucros distribuídos entre seus sócios, dentre outras informações.
O resultado apurado na primeira metade do relatório, ou seja, o valor adicionado total distribuído, precisa ser obrigatoriamente igual ao resultado da segunda metade da DVA, que corresponde à distribuição do valor adicionado. Se isso não ocorrer, há erro na contabilidade.

Modelo de DVA:
Demonstração do Valor Adicionado
Cia. Siderúrgica
em R$ mil 2001
2002
1-RECEITAS

1.1) Vendas de mercadoria, produtos e serviços

1.2) Provisão p/devedores duvidosos – Reversão/(Constituição)

1.3) Não operacionais

2-INSUMOS ADQUIRIDOS DE TERCEIROS (inclui ICMS e IPI)

2.1) Matérias-Primas consumidas

2.2) Custos das mercadorias e serviços vendidos

2.3) Materiais, energia, serviços de terceiros e outros

2.4) Perda/Recuperação de valores ativos

3 – VALOR ADICIONADO BRUTO (1-2)

4 – RETENÇÕES

4.1) Depreciação, amortização e exaustão

5 –VALOR ADICIONADO LÍQUIDO PRODUZIDO PELA ENTIDADE (3-4)

6 – VALOR ADICIONADO RECEBIDO EM TRANSFERÊNCIA

6.1) Resultado de equivalência patrimonial

6.2) Receitas financeiras

7 – VALOR ADICIONADO TOTAL A DISTRIBUIR (5+6)

8 – DISTRIBUIÇÃO DO VALOR ADICIONADO

8.1) Pessoal e encargos

8.2) Impostos, taxas e contribuições

8.3) Juros e aluguéis

8.4) Juros s/ capital próprio e dividendos

8.5) Lucros retidos / prejuízo do exercício

*O total do item 8 deve ser exatamente igual ao item 7.



3.5 Demonstração dos Fluxos de Caixa

Obrigatoriedades Da Publicação Da DFC
Com a Lei 11.638/07, art.176, estabelece que todas as empresas de capital aberto e fechado com patrimônio liquido na data do balanço inferior a R$ 2.000.000,00 (dois milhões), não será obrigada a elaboração do DFC. Segundo a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o objetivo da obrigatoriedade e acompanhar a mudança dos mercados, visando à globalização dos mesmos e harmonizando a as praticas brasileiras de contabilidade com as praticas internacionais, tonando assim as empresas brasileiras mais competitivas de forma padrão, facilitando também a analise dos investidores estrangeiros.

Classificação Por Atividade
Para classificação das atividades devemos conceituar alguns itens que devem integrar na DFC, os principais são caixa e equivalentes de caixa.
Caixa: compreende numerário em espécie e depósitos bancários disponíveis (Comitê de Pronunciamentos Contábeis 03/2008).
Equivalentes de caixa: são aplicações de curto prazo e alta liquidez, que podem ser convertidas em dinheiro.

A demonstração dos fluxos de caixa, o termo fluxos de caixa não e usado por acaso, ele é usado no plural por serem três fluxos divididos por atividades:

Fluxo
de
Caixa
- operacionais: são transações que envolvem o objeto social da empresa, ou seja, principais atividades que geram receitas (recebimento de venda, prestação de serviços, pagamento de fornecedor, pagamento de funcionários) e outras receitas que não estão ligadas as atividades de financiamentos e investimentos.
- financiamentos: esta ligada as atividades como empréstimos obtidos de curto de longo prazo, integralização de capital e pagamentos de lucros, essas atividades modificação a composição do capital próprio e capital de terceiros.
- investimentos: esta ligada as atividades de compra de ativos financeiros, aquisições de ações, juros recebidos de contratos de mútuos, essas transações não podem ser revendidas, isso pode entrar em desacordo com o objetivo social da empresa.


Formas De Elaboração
O item 11 da Normas e Procedimentos de Contabilidade n° 20/1999, diz que a DFC deve apresentar o fluxo de caixa oriundo ou aplicado nas atividades operacionais, de investimentos e financiamentos do exercício ou período, apresentando a liquidez dos saldos em relação ao caixa e equivalentes de caixa. A elaboração por ser através de dois métodos, direto ou indireto.
Método Direto
Este método utiliza a técnica das partidas dobradas e depois classifica os recebimentos e pagamentos, usando critérios técnicos, essas operações são de entrada e saídas, são decorrentes de operações normais, efetuadas durante o período.

FLUXO DE CAIXA - MÉTODO DIRETO
Entradas e saídas de caixa e equivalentes de caixa
Fluxo de caixa das atividades operacionais:
Venda de mercadorias e serviços (+)
Pagamento de fornecedores (-)
Salários e encargos sociais dos empregados (-)
Dividendos recebidos (+)
Impostos e outras despesas legais (-)
Recebimento de seguros (+)
Caixa líquido das atividades operacionais: ∑
Fluxo de caixa das atividades de investimento:
Venda de imobilizado (+)
Aquisição de imobilizado (-)
Aquisição de outras empresas (-)
Caixa líquido das atividades de investimento:∑
Fluxo de caixa das atividades de financiamento:
Empréstimos líquidos tomados (+)
Pagamento de leasing (-)
Emissão de ações (+)
Caixa líquido das atividades de financiamento: ∑
Aumento/diminuição líquido de caixa e equivalente de caixa: Total∑
Caixa e equivalentes de caixa - início do ano
Caixa a equivalentes de caixa - final do ano

Método Indireto (Método Da Reconciliação)
Este método evidencia os ajustes ao lucro líquido, proveniente da DRE (Demonstração de Resultado do Exercício) ajustado pela adição das despesas e exclusões das receitas e que não afetaram o caixa, ou seja, representando entrada e saída (recebimentos ou pagamentos em dinheiro), também exclui-se os resultados obtidos das transações de bens do ativo não-circulante subgrupos investimentos, imobilizado e intangível.
 
FLUXO DE CAIXA - MÉTODO INDIRETO
Entradas e saídas de caixa e equivalentes de caixa
Fluxo de caixa das atividades operacionais:
Lucro líquido (+)
Depreciação e amortização (+)
Provisão para devedores duvidosos (+)
Aumento/diminuição em fornecedores (+/-)
Aumento/diminuição em contas a pagar (+/-)
Aumento/diminuição em contas a receber (+/-)
Aumento/diminuição em estoques (+/-)
Caixa líquido das atividades operacionais: ∑
Fluxo de caixa das atividades de investimento:
Venda de imobilizado (+)
Aquisição de imobilizado (-)
Aquisição de outras empresas (-)
Caixa líquido das atividades de investimento: ∑
Fluxo de caixa das atividades de financiamento:
Empréstimos líquidos tomados (+)
Pagamento de leasing (-)
Emissão de ações (+)
Caixa líquido das atividades de financiamento: ∑
Aumento/diminuição líquido de caixa e equivalente de caixa: Total ∑
Caixa e equivalentes de caixa - início do ano
Caixa a equivalentes de caixa - final do ano

Com a atualização constante do balanço patrimonial com dados recentes  e com o uso correto de planilhas poderá ser analisado:
Detalhamento de Direitos (Ativo);
Detalhamento de Obrigações (Passivo);
Projeção de Balanço Patrimonial Gerencial;
Previsão de Entradas;
Previsão de Saídas;
Previsão de Saldos;
Indicadores de liquidez;
Indicadores de endividamento;
Indicador de evolução patrimonial.

Índices de rentabilidade
Os índices de rentabilidade relacionam algum lucro da DRE com alguma variável do balanço patrimonial, especificamente do ativo ou do patrimônio líquido.

Diferença entre lucro e resultado
Os lucros (bruto, operacional, líquido, etc), obtidos na DRE, são também chamados de resultados, pois tecnicamente o termo lucro ocorre apenas quando o resultado é positivo. Por outro lado, um resultado negativo indica um prejuízo.

Nos índices de rentabilidade, as principais variáveis das demonstrações contábeis utilizadas como base de comparação, são:
Ativo total.
Patrimônio líquido.
Receitas de vendas.

Já os principais resultados utilizados são:
Lucro operacional (lucro gerado pelos ativos).
Lucro líquido (após o IR).

O uso de valores médios para o cálculo dos índices de rentabilidade
Ao invés de utilizar o ativo total, ou o patrimônio líquido do balanço patrimonial anual da companhia que está sendo analisada, alguns autores falam sobre utilizar o ativo total médio, ou o patrimônio líquido médio, ou seja, valores medidos com base nas informações dos dois últimos anos.
BALANÇO PATRIMONIAL 2002
DLPA
Ativo







Total     400
Passivo

Patrimônio Líquido
Capital
Reserva legal
Reserva Conting.
Lucros Acumulados

Total
60


200
30
10
100

400
Saldo do início do período (2002)
± Ajustes de exercícios anteriores
Saldo Ajustado
± Lucro ou Prejuízo do Exercício
+ Reversões de Reserva
Saldo à disposição
(-) Destinações do Exercício
  (-) Reservas
  (-) Dividendos
Saldo no fim do Exercício
100
10
90
200
10
300

(10)
(70)
220
No Resultado do Exercício 2003:
Lucro Líquido = 200
Reserva Legal = 10
Reserva da Reserva de Conting = 10
Dividendo = 70



4. Índices e Indicadores Financeiros

A análise das demonstrações financeiras envolve comparar o desempenho de uma determinada empresa com outras do mesmo ramo, além de analisar o seu histórico, verificando sua evolução ao longo do tempo. Os indicadores financeiros servem para extrair informações relevantes que podem não ser tão óbvias simplesmente analisando as demonstrações financeiras de uma empresa. Eles podem ser calculados a partir do balanço patrimonial, demonstração de resultado do exercício e do fluxo de caixa. Ao se analisar os indicadores financeiros, o ramo da empresa sempre deverá ser levado em conta, pois algumas empresas podem apresentar índices ruins, mas não necessariamente que sua saúde esteja prejudicada.
Os indicadores financeiros mais comuns em análise são os índices de LIQUIDEZ, ENDIVIDAMENTO E RENTABILIDADE. Através da aplicação de fórmulas, chega-se a determinados valores que precisam ser interpretados pelo analista. A figura abaixo retrata o tripé da análise financeira e demonstra que deve ser realizada de forma global e conjunta.

4.1. Indicadores de Liquidez
Os indicadores de liquidez visam descobrir se a empresa possui dinheiro suficiente para honrar suas obrigações. Suas informações são retiradas somente do balanço patrimonial. Os indicadores de liquidez são:
4.1.1. Índice de liquidez corrente
O índice de liquidez corrente é o melhor indicador de solvência de curto prazo, pois revela a proteção dos credores em curto prazo por ativos, onde há uma expectativa que estes possam ser convertidos em dinheiro rapidamente. A fórmula para se calcular o índice de liquidez corrente é a seguinte:
Índice de liquidez corrente = Ativo Circulante/Passivo Circulante

Como podemos notar através da fórmula, seu cálculo é feito a partir dos direitos de curto prazo da empresa, como caixa, estoques, contas a receber e as dívidas de curto prazo, como empréstimos e financiamentos.
Se o resultado do índice de liquidez corrente > 1, significa que a empresa possui meios de honrar com suas obrigações de curto prazo, demonstrando uma folga no disponível.
Se o resultado for = 1, significa que os direitos e obrigações de curto prazo são iguais.
Já se o resultado índice de liquidez corrente < 1, a empresa poderá apresentar problemas, pois suas disponibilidades são insuficientes para honrar com suas obrigações de curto prazo.
Entretanto, apresentar um alto índice de liquidez corrente pode não ser tão bom assim, pois poderá significar que a empresa possui muito dinheiro atrelado a ativos não produtivos, como estoques que não estão sendo vendidos e se tornando obsoletos. O correto sempre é analisar os índices do setor, achando uma média para o índice de liquidez corrente. Se estiver acima da média, poderá ser uma boa notícia, mas se estiver muito abaixo da média, pode ser que a empresa esteja passando por dificuldades financeiras.

4.1.2. Índice de liquidez seca
A fim de resolver o problema citado acima, de que os estoques podem inflar o índice de liquidez corrente, foi criado o índice de liquidez seca, excluindo assim os estoques. Um ativo líquido é aquele que é negociado em um mercado ativo, e pode ser rapidamente convertido em dinheiro. Os estoques, geralmente, possuem baixa liquidez, sendo muitas vezes o ativo menos líquido do ativo circulante. Caso ocorra uma falência com a empresa, o estoque geralmente é perdido. Logo, o índice de liquidez seca visa saldar as obrigações da empresa de curto prazo sem depender da venda de estoques para isso. A fórmula do índice de liquidez seca é a seguinte:
Índice de liquidez seca = (Ativo circulante – estoques)/Passivo circulante

O resultado deste índice será sempre menor que o índice de liquidez corrente, sendo sua interpretação a mesma.

4.1.3. Índice de liquidez Imediata
O índice de liquidez imediata é uma variação dos índices anteriores, porém, considera-se somente o quanto a empresa tem de dinheiro no curtíssimo prazo, como caixa, saldos bancários e aplicações financeiras com liquidez imediata, como CDBs sem carência e fundos de investimentos com resgate de cotas de D+0. A fórmula do índice de liquidez imediata é a seguinte:
Índice de liquidez imediata = Disponível/Passivo circulante

Como podemos notar através da fórmula, o índice de liquidez imediata exclui os estoques e contas a receber, tornando-se um índice de solvência de curtíssimo prazo da empresa. Sua interpretação é a mesma das anteriores, onde um índice acima de 1 é bom e abaixo de 1 é ruim.

4.1.4. Índice de Liquidez Geral
O índice de liquidez geral é um indicador de solvência tanto de curto prazo quanto de longo prazo. Ele indica que a cada $ 1 que a empresa tem de dívida, o quanto ela possui de direitos e haveres no ativo circulante e no realizável a longo prazo. A fórmula para o índice de liquidez geral é a seguinte:
Índice de liquidez geral = (Ativo Circulante + Realizável a longo prazo)/(Passivo circulante + Passivo não circulante)

Como todos os indicadores de liquidez, o índice de liquidez geral deverá ser analisado em uma determinada empresa comparando com índice médio do setor. Além disso, existem empresas que podem apresentar um péssimo índice de liquidez geral, mas que não necessariamente esteja em uma situação desconfortável. Por exemplo, uma empresa que possui um giro de estoques muito grande, pode fazer com que o índice apresente um valor péssimo, entretanto, ela pode estar em dia com seu fornecedor e até mesmo ter uma folga de caixa.


Conforme o quadro 1, duas formas de medir a solvência são largamente utilizadas. O índice de liquidez corrente (ILI) é obtido por meio da razão caixa (C) que compreendem recursos imediatamente disponíveis (recursos monetários em espécie, depósitos bancários e aplicações em papeis de curto e curtíssimo prazo) e passivo circulantes (PC). O ILI indica qual a proporção entre ativos imediatamente líquidos e passivos exigíveis no curto prazo.
 
O índice de liquidez corrente (ILC) é obtido por meio da razão entre ativo (AC) e passivo circulantes (PC). Caso tenha problemas de saldar as dívidas de curto prazo a empresa poderá passar por sérios problemas sendo obrigada a renegociá-las ou obter crédito bancário adicional – em condições nem sempre favoráveis.
 
Neste caso, o passivo circulante pode crescer ainda mais rápido que o ativo circulante conduzindo a graves problemas de solvência no futuro. Um baixo ILC representa o primeiro sinal de problemas financeiros. Da mesma maneira com que devem ser lidas as demais classes de índices apresentadas a seguir, estes devem ser avaliados sob uma perspectiva histórica e comparado aos níveis verificados em outras empresas do setor.
 
O índice de liquidez seco (ILS) é calculado por meio da razão entre a diferença entre o ativo circulante total e os estoques (Est) e o passivo circulante. Considera-se que os ativos prontamente disponíveis são rapidamente conversíveis em caixas sem grandes perdas de valor; o que não é o caso dos estoques. Portanto, este indicador mede a capacidade da empresa de saldar suas dívidas de curto e curtíssimo prazo sem abrir mão de seus estoques. O quadro 2 apresenta os referidos índices de liquidez.

Quadro 1: Classes, definições e finalidade dos Indicadores de Liquidez – IL:
Classe de
Índice
Definições Notação
Matemática
O que mede? Quem se interessa mais diretamente? Informação utilizada
Índice de Liquidez Corrente (ILC) Ativo Circulante/
Passivo Circulante
           AC
ILC = ------
           PC
Capacidade de pagamento de contas, necessidade de empréstimos para financiar Capital de Giro. Financiadores de curto prazo (fornecedores, mão-de-obra, credores, etc.). Ativo Circulante e
Passivo Circulante
Índice de Liquidez Seco (ILS) (Ativo Circulante - Estoque Total)/
Passivo Circulante
         AC - Est
ILS = ---------
        PC
Estoques são menos líquidos que demais ativos. O ILS mede a solvência imediata do Passivo Circulante. Financiadores de curto prazo (fornecedores, mão-de-obra, etc.). Ativo Circulante,
Passivo Circulante e
Estoque
Índice de Liquidez Imediata (ILI) (Caixa)/
Passivo Circulante
           C
ILI = ------
          PC
Capacidade imediata de pagamento de contas, necessidade de empréstimos para financiar Capital de Giro. Financiadores de curto prazo (fornecedores, mão-de-obra, etc.). Ativo Circulante,
Passivo Circulante e
Estoque
Em suma, o índice de liquidez corrente (ILC) mede a disponibilidade de recursos e a capacidade de pagamento de contas das empresas. Dá uma idéia a cerca da necessidade de empréstimos para financiamento de capital de giro. Já o índice de liquidez seco (ILS) deduz do ativo líquido a conta estoques, pois da classe de ativos circulantes, são os ativos de menor liquidez perdendo grande parte de valor em caso de sua liquidação.
 
Os índices de solvência ou de liquidez se relacionam diretamente com uma série de fontes de riscos (operacional, financeiro, de mercado, de liquidez, cambial e de poder aquisitivo). Quanto maior a previsibilidade das receitas e dos custos correntes, maior o grau de aceitação de índices de liquidez relativamente baixos.
Indicador
Fórmula
Significado
LIQUIDEZ IMEDIATA Disponível
PC
Expressa o quociente entre as disponibilidades (caixa, banco e aplicações financeiras de liquidez imediata) e o passivo circulante. É o índice menos utilizado pelos analistas. Revela a capacidade de pagamento no curtíssimo prazo.
LIQUIDEZ CORRENTE AC
PC
Indica quanto a empresa possui em dinheiro mais bens e direitos realizáveis no curto prazo, comparado com suas dívidas a serem pagas no mesmo período. É o índice mais utilizado pelos analistas. Revela a capacidade de pagamento no curto prazo.
LIQUIDEZ SECA AC - estoque
PC
Indica quanto a empresa possui em disponibilidades, aplicações financeiras e duplicatas a receber a curto prazo, para fazer face ao seu passivo circulante. É a análise da liquidez corrente sem os estoques.
LIQUIDEZ GERAL AC + RP
PC + P não circulante
Indica quanto a empresa possui em dinheiro, bens e direitos realizáveis a curto e a longo prazo, para fazer face às suas dívidas totais. É o único que envolve a análise no longo prazo. Não é muito utilizado devido ao seu horizonte de análise. Revela a capacidade de pagamento no longo prazo.


4.2. Índice de Gestão de Ativos
O índice de gestão de ativos, como o próprio nome sugere, visa medir a eficiência da empresa na gestão de ativos, e está relacionado a vários fatores, como por exemplo, o setor de atividade, a sazonalidade, o ciclo operacional, o volume de capital alocado, entre outros. Por exemplo, se uma empresa possuir investimentos excessivos em ativos, então seu capital operacional será desnecessariamente alto, o que reduziria seu fluxo de caixa livre. Por outro lado, uma empresa que não possui ativos suficientes poderá ter suas vendas reduzidas, prejudicando a rentabilidade, o fluxo de caixa livre e o preço de suas ações. Dentre os índices de gestão de ativos, cabe destacar:
4.2.1. Índice de Giro de Estoque
Este índice visa demonstrar o desempenho do estoque e sua qualidade, e pode ser aplicado a qualquer tipo de estoque, independente do seu tamanho ou complexidade. A fórmula para calcular o índice de giro do estoque é a seguinte:
Índice de giro de estoque = Receita/Estoques

O resultado da conta acima representa a quantidade de vezes que cada um dos itens do estoque foi renovado dentro de um determinado período de tempo. Se o resultado dessa contar for 5, por exemplo, significa que o estoque foi vendido e reabastecido 5 vezes por ano. O índice deverá ser comparado com a média do setor. Altos níveis de estoques somados ao capital de giro operacional líquido reduz o fluxo de caixa livre. Baixos índices de estoque pode significar que a empresa está retendo mercadorias, que talvez não valha o valor declarado. Outro ponto importante é que esse índice deverá ser analisado pela média dos estoques, pois existem empresas que tem sazonalidade, isto é, tem vendas mais altas em determinados períodos do ano, como por exemplo, o chocolate, que é bastante vendido na páscoa. Para isso, basta somar os valores mensais de estoques e dividir por 12.

4.2.2. Prazo de Recebimento Médio de Vendas
O prazo médio de recebimento de vendas, também conhecido como período médio de cobrança, é um índice usado para avaliar contas a receber, representando o tempo médio que a empresa deve aguardar após realizar uma venda antes de receber o pagamento, que é o período médio de cobrança. Em outras palavras, o índice de prazo médio de recebimento indica quantos dias, em média, a empresa leva para receber suas vezes a prazo. A fórmula para se achar o índice é:
Prazo de recebimento de vendas = Recebíveis / Receitas anuais/365

Se o resultado da conta for 40, por exemplo, vai indicar que a empresa demora, em média, 40 dias para receber suas vendas a prazo. O fato de demorar mais ou menos para receber suas vendas a prazo pode ter vários fatores, como por exemplo, o ramo do negócio, a eficiência do período de cobrança, a situação financeira dos clientes, a economia como um todo, etc. Quanto menor for esse prazo, melhor. O resultado terá que ser comparado com outras empresas do setor. Se o resultado for menor, isto é, se o prazo médio de recebimento das vendas for mais baixo que seus concorrentes, a empresa pode ter uma vantagem competitiva perante outras empresas do mesmo setor.

4.2.3. Índice de Giro de Ativos Fixos (ou imobilizados)

O índice de giro de ativos imobilizados mede a eficiência da empresa em relação ao uso de seu imobilizado. Ela indica como a empresa está usando seus ativos fixos, isto é, suas máquinas e equipamentos. Sua fórmula é a seguinte:
Índice de giro de ativos fixos = Receitas/Ativos imobilizado

O índice de giro do ativo imobilizado indica quanto à empresa vendeu para cada $ 1,00 de investimento total. Quanto maior seu valor melhor, pois indica que a empresa é eficiente em usar seus ativos permanentes para gerar receita.

4.2.4. Índice de Giro do Total de Ativos
O índice de giro do total de ativos mede a eficiência com a qual a empresa utiliza todos seus ativos para gerar receitas. Ele indica o faturamento da empresa em comparação com o crescimento do ativo. A fórmula para calcular o índice de giro total é a seguinte:
Índice de giro do total de ativos = Receita/Total do ativo

Quanto maior for esse índice, melhor, pois indicará que a empresa utiliza bem o total de seus ativos, trazendo maior retorno sobre o capital investido. Em outras palavras, se a empresa apresentar um índice alto, ou maior do que a média do setor significará que ela gerou um volume suficiente de negócios, dado seu investimento total em ativos. Este é um índice muito importante, uma vez que indica se as operações, e consequentemente as receitas, foram ou não financeiramente eficientes. Caso a companhia apresente um índice baixo, ela terá que aumentar suas vendas e vender alguns ativos.

4.2.5. Índice de Giro do Contas a Receber
O índice de giro do contas a receber indica quantas vezes que o contas a receber transitou pelo caixa durante o ano, isto é, quantas vezes a empresa gira seu contas a receber em função das vendas. A fórmula para calcular o índice do giro do contas a receber é a seguinte:
Índice de giro do contas a receber = Vendas Líquidas/Contas a receber médio

Quanto maior for o giro, melhor para a empresa. Entretanto, giros muito altos podem indicar uma política de crédito deficiente.

4.2.6. Índice de Prazo Médio de Estoque
O índice de prazo médio de estoques indica quantos dias, em média, os produtos ficaram armazenados no estoque antes de serem vendidos. Como o estoque representa sempre aplicações de recursos, girar o estoque significa vender as mercadorias, gerando receita. A fórmula para calcular o índice de prazo médio de estoque é a seguinte:
Índice de prazo médio de estoque = Estoque médio x 360 /Custo das vendas

O resultado indicará quantos dias, em média, a empresa demorou a renovar seu estoque. O prazo médio de estoque pode variar para cada empresa. Por exemplo, um supermercado possui um giro do estoque muito alto. Já uma concessionária que vende carros de luxo possui um baixo giro do estoque. Para saber se a empresa mantém níveis saudáveis de giro do estoque, o índice deverá ser comparado com outras empresas do mesmo setor.

4.2.7. Índice de Prazo Médio de Pagamento
O índice de prazo médio de pagamento compreende a razão entre o contas a pagar e as vendas médias diárias. Ele indica quantos dias, em média, os recursos de curto prazo ficaram alocados no contas a pagar, isto é, quantos dias a empresa usa recursos dos fornecedores para se financiar. A fórmula para calcular o índice de prazo médio de pagamento é a seguinte:
Índice de prazo médio de pagamento = Fornecedores x 360 /Compras

Para uma empresa, quanto maior o prazo de pagamento de fornecedores, melhor. Por isso, quanto maior o índice, melhor, pois ele indica a quantidade de dias médio que a empresa demora a pagar seus fornecedores.

Classes, definições e finalidade dos Indicadores de Administração de Ativos (IAA):
Momeclatura:
Receita Operacional = Receita Operacional Líquida
Classe de
Índice
Definições Notação Matemática O que mede? Quem se interessa mais diretamente? Informação utilizada
Giro de Ativos (IGA) Receita Operacional/ Ativo Total           RO
IGA = -------
          AT
Eficiência global com que os ativos da empresa são administrados para gerar vendas. Financiadores de curto e longo prazo (Gestores, Acionistas e Credores) Receita Operacional Bruta e
Ativo Total
Giro Ativo Imobilizado (GAI) Receita Operacional/ Ativo Imobilizado          RO
GAI = -------
         AI
Eficiência com que uma empresa utiliza suas máquinas, instalações e equipamentos. Financiadores de curto e longo prazo (Gestores, Acionistas e Credores) Receita operacional Bruta e
Ativo Imobilizado
Saldo Médio Contas a Receber (SCR) Contas a Receber (CR) (média)          CRt – CRt-1
SCR = --------------
     2
Política de financiamento da organização junto aos seus clientes Financiadores de curto prazo (Gestores e Acionistas) Média das Contas a receber
Giro Contas a Receber (GCR) Receita Operacional/ Saldo Médio Recebimento           RO
GCR = -------
         SCR
Eficiência com que a empresa opera sua política de financiamento junto a clientes. Gestores, Acionistas e Credores Receita operacional e
Saldo médio Recebimento
Índice de Rotação de Estoques (IRE) Receita Operacional/ Estoque           RO
IRE = -------
         Est
Eficiência na administração de estoques e sua rotatividade. Gestores e Acionistas Receita Operacional Bruta (ROB) e
Estoques
Dias de Contas a Receber  (DCR) ou Prazo Médio de Recebimento (PMR) Contas a Receber/ Vendas diárias           CR
DCR = ----------
           (V/360)
Avalia as políticas de crédito e cobrança. Gestores, Acionistas e Fornecedores Contas a receber e
Vendas diárias (ROB)
Dias de Estoque (DEst) ou Prazo Médio de Estoques (PME) Estoques/ Vendas diárias       Est
DEst = ----------
          (V/360)
Avalia as políticas de crédito e cobrança. Gestores, Acionistas e Fornecedores Estoques e
Vendas diárias (ROB)
Dias de Contas a Pagar (DCP) ou Prazo Médio de Pagamento (PMR) Contas a Pagar/ Vendas diárias          CP
DCP = ----------
           (V/360)
Avalia as políticas de crédito e cobrança. Gestores, Acionistas e Fornecedores Contas a receber e
Vendas diárias (ROB)
Período de Caixa (PCx) DCR + DEst – DCP PCx = (DCR + DEst) – DCP Avalia as políticas de crédito e cobrança. Gestores, Acionistas e Fornecedores Diferença entre DCR + DEst e DCP


4.3. Índice de Gestão de Dívida
Quanto mais uma empresa investe, maior é seu potencial de retorno. Para isso, ela precisa de caixa. O dinheiro poderá vir dos sócios ou de terceiros. Caso venha de terceiros, o dinheiro será considerado uma dívida. Em geral, o uso elevado de capital de terceiros indica uma situação financeira nada saudável, principalmente em alguns setores da economia, como aviação, por exemplo. Ao captarem uma dívida, os acionistas podem manter o controle da empresa, sem aumentar seus investimentos. Os índices de gestão de dívida visam mensurar a qualidade e a quantidade da dívida de uma empresa, a fim de identificar se os níveis de endividamento estão saudáveis ou se a empresa está enfrentando dificuldades financeiras, além de avaliar se a companhia está gerando caixa suficiente para pagar suas dívidas e garantir o crescimento sustentável de suas atividades. Os índices de gestão da dívida são:

4.3.1. Índice de Endividamento

O índice de endividamento, também chamado de índice de endividamento total, é a relação entre o total de ativos e o total de passivos. Descrito em porcentagem, ele mede o percentual de fundos gerados pelos passivos circulantes e dívidas de longo prazo. A fórmula para calcular o índice de endividamento geral é a seguinte:
Índice de endividamento = Total de Passivos (Passivo Circulante + Exigível a LP)/Total de Ativos

O resultado da conta acima indicará quantos % de capital de terceiros a empresa possui. Quanto maior seu valor, maior a participação de capital de terceiros no financiamento das operações corporativas. Logo, os credores preferem índices de endividamento baixos, pois quanto menor for, maior será a proteção contra prejuízos em caso de falência da companhia.

4.3.2. Índice de Dívida/Patrimônio
O índice de dívida/patrimônio informa quanto de patrimônio líquido a empresa tem para cada $ 1 de dívida. Esse índice tem a mesma finalidade que o índice de endividamento, porém, mostrado em moeda e não em percentual. A fórmula para se calcular o índice da dívida/patrimônio é a seguinte:
Índice de dívida/patrimônio = total do passivo/patrimônio líquido

Quanto maior o índice, pior. Quanto mais alto ele for, maior será a participação de capital de terceiros na empresa, e, consequentemente, maior será a dívida da empresa. De novo, sempre é bom comparar com a média do setor, a fim de verificar se a empresa está muito alavancada.

4.3.3. Índice de Cobertura de Juros
O índice de cobertura de juros mede o quanto a receita operacional pode diminuir antes que a empresa se torne incapaz de cobrir seus custos anuais. Esse índice mostra o tamanho da dívida da empresa, e se ela gera lucro suficiente para cobrir suas despesas com pagamento de juros. A fórmula para calcular o índice de cobertura de juros é a seguinte:
Índice de cobertura de juros = EBIT/Despesas com juros

O resultado da conta indicará quantas vezes os juros estão cobertos, isto é, quantas vezes o lucro operacional da empresa será capaz de pagar as despesas de juros. Portanto, quanto maior o índice, melhor. Se uma empresa apresentar um índice de cobertura de juros de 3,6x, por exemplo, e a média do setor for de 6x, essa empresa estará cobrindo suas despesas com juros com uma baixa margem de segurança, fazendo com que provavelmente a empresa tenha dificuldades em tomar recursos emprestados de terceiros.

4.4. Índices de Lucratividade
Os índices de lucratividade visam examinar a eficácia das operações da empresa, mostrando os efeitos combinados de liquidez, gestão de ativos e gestão da dívida sobre os resultados operacionais.  Os índices de lucratividade indicam o percentual de retorno pela empresa sobre as vendas. Entretanto, uma empresa ser lucrativa não significa que ela seja rentável. Muitas vezes, as despesas administrativas ou com juros podem acabar com a rentabilidade de uma companhia. Os principais índices de lucratividadesão:

4.4.1. Margem de Lucro Líquido

A margem de lucro líquido, também chamado de margem de lucro sobre as vendas ou simplesmente margem líquida mede o percentual de lucro líquido que a empresa conseguiu obter em relação ao seu faturamento. A margem de lucro líquido é o índice de lucratividade mais genérico de uma companhia, pois relaciona o lucro líquido com as vendas (receita líquida da DRE). Uma empresa que possui uma margem líquida superior aos seus concorrentes diretos é uma empresa eficiente em suas atividades operacionais e também eficiente na sua gestão financeira.
Ela é demonstrada em percentual. A fórmula para calcular a margem de lucro líquido é a seguinte:
Regra de três
Venda Líquida R$ — 100%
Lucro Líquido R$ — Margem de Lucro Líquido ⇒
 Margem de Lucro Líquido = (Lucro Líquido / Venda Líquida) x 100%

A margem líquida indica o percentual de ganho da companhia sobre suas vendas, após a dedução de todas as despesas, inclusive despesas com juros e imposto de renda. Por exemplo, a margem de lucro líquido de uma empresa pode ser de 9%. Mas para sabermos se essa margem está boa ou não, temos que comparar com outras empresas do mesmo ramo. Se esse valor for maior, temos uma empresa com vantagem competitiva perante seus concorrentes. Entretanto, se estiver abaixo, a empresa pode estar operando com ineficiência ou ter altas despesas com juros.

Por exemplo, se a sua empresa tem uma lucratividade de 8%, isso significa que, de cada R$ 100,00 vendidos, R$ 8,00 sobram sob a forma de lucro, depois de pagas todas as despesas e os impostos.

Na prática, significa que a empresa agregou R$ 8,00 sobre o trabalho de produção e comercialização do seu produto avaliado em R$ 100,00.
O resultado pode ser mensal, anual e outros.

Fórmula para o cálculo da lucratividade:
Regra de três
Receita Total R$  — 100%
Lucro Líquido R$ — Lucratividade ⇒ Lucratividade = (Lucro Líquido / Receita Total) x 100%

4.4.2. Margem EBIT
O lucro operacional, da forma como é tratado pela legislação brasileira (Lei da SA's), leva em conta a dedução das despesas administrativas, de vendas e financeiras (relacionadas com a atividade fim da empresa).

O EBIT (Earnings Before Interest and Taxes, LAJIR em português), também entendido como uma forma de medir o lucro operacional, leva em conta apenas a dedução das despesas administrativas e de vendas, deixando as despesas financeiras (operacionais ou não) para deduzir na sequência da DRE.

Neste contexto, outro índice de lucratividade é a margem EBIT, dada pela seguinte equação:
MEBIT=EBIT/Vendas

4.4.3. Margem EBITDA
Ainda falando sobre a eficiência operacional de uma empresa, o EBITDA (Earnings Before Interest, Taxes, Depreciation and Amortization, LAJIDA, em português) é outra medida das operações (atividade fim) de uma empresa. A diferença entre o EBIT e o EBTIDA é que o EBTIDA, além de não considerar nenhum tipo de despesa financeira, desconsidera também os efeitos da depreciação e da amortização.

A justificativa prática para utilizar a margem EBITDA nas análises gerenciais está no fato de que a depreciação e a amortização, apesar de serem contabilmente classificadas como despesas, não geram desembolso na prática. Por isso, a margem EBITDA é muito utilizada em métodos de valuation, por exemplo, para mensurar o valor de uma empresa.
MEBITDA=EBITDA/Vendas

4.4.4. Margem de Lucro Operacional
Este índice mede o que comumente se denomina Lucros Puros por cada unidade de venda. Ignora as despesas financeiras e obrigações e considera somente o lucro operacional pelas vendas.
A margem de lucro operacional identifica o desempenho das operações de uma empresa antes do impacto das despesas com juros e imposto de renda, isto é, ela mede a eficiência operacional da companhia, identificando o quanto das receitas líquidas vieram das vendas e serviços de suas atividades operacionais. A fórmula para calcular a margem de lucro operacional é a seguinte:
Fórmula para o cálculo da Margem de Lucro Operacional:
Regra de três
Receita de Vendas R$ — 100%
Lucro Operacional R$ — MLO ⇒ MLO = (Lucro Operacional (EBIT) / Receita de Vendas) x 100%

Esse índice demonstra o ganho da empresa com suas operações, desconsiderando as despesas financeiras e impostos, sendo possível identificar se o problema da margem líquida está realmente ou não nas operações da companhia. Para saber se uma empresa possui uma boa margem de lucro operacional, basta comparar o índice com outras empresas do mesmo setor.
A Margem Operacional mede a eficiência operacional da empresa, ou seja, o quanto de suas receitas líquidas provenientes de vendas e serviços vieram de suas atividades operacionais. O cálculo é dado pelo quociente entre o resultado operacional da empresa sobre a receita líquida, em outras palavras é calculada pela divisão do Lucro Operacional pela Receita Líquida, sendo um bom indicador de eficiência operacional: se compararmos duas empresas de mesma atividade, aquela que tem maior margem operacional é a que apresenta melhores resultados para cada real vendido, tendo assim, custos operacionais mais reduzidos.

4.4.5. Margem de Lucro Bruto
A margem de lucro bruto identifica a rentabilidade das vendas, após a dedução das despesas sobre vendas, como impostos sobre vendas, devoluções, abatimentos, custo dos produtos vendidos, entre outros. A fórmula para calcular a margem de lucro bruto é a seguinte:
Fórmula para o cálculo da Margem de Lucro Bruto:
Regra de três
Receita Operacional Líquida R$ — 100%
                           Lucro Bruto R$ — MLB ⇒ MLO = (Lucro Bruto / Receita Operacional Líquida) x 100%

A margem de lucro bruto indica o quanto a empresa está ganhando como resultado direto de suas atividades operacionais. Quanto maior for a margem bruta, maior será a rentabilidade das vendas. Por exemplo, se uma companhia apresentar uma margem de lucro bruto de 62%, significa que a cada $ 1 de venda de suas mercadorias ou prestação de serviços, $ 0,62 é, de fato, lucro. Para saber se a margem bruta de uma determina empresa é alta, basta comparar com outras empresas do setor.

4.4.6. Índice de Receita Operacional
O índice de receita operacional mostra a capacidade de geração de receita operacional dos ativos de uma companhia antes dos impostos e alavancagem. A fórmula para calcular o índice de receita operacional é a seguinte:
Fórmula para o cálculo do Índice de Receita Operacional:
Regra de três
                Total do Ativos R$ — 100%
Lucro Operacional (EBIT) R$ — Indice de Receita Operacional ⇒IRO = (Lucro Operacional (EBIT)/Total de Ativos)x 100%

4.5. Índices de Rentabilidade
A rentabilidade de uma empresa reflete sua capacidade de auto-financiamento, as políticas de distribuição de dividendos e su/a capacidade de gerar receitas. Os índices de rentabilidade indicam o percentual de retorno obtido pela empresa sobre o capital investido dentro da companhia, isto é, a remuneração do patrimônio líquido. É um dos indicadores mais importantes para o acionista, pois além de mostrar o retorno sobre o investimento, permite comparar essa rentabilidade com outras formas de rendimento no mercado, além de comparar com outras empresas do mesmo setor.

O cálculo relacionam variáveis das demonstrações contábeis/financeiras das empresas, especialmente da Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) e do Balanço Patrimonial , com o propósito de facilitar uma análise gerencial acerca da capacidade da empresa de gerar retornos.
Fórmula para o cálculo da rentabilidade:
Regra de três
Investimento Total R$ — 100%
Lucro Líquido R$        — Rentabilidade ⇒ Rentabilidade = (Lucro Líquido / Investimento Total) x 100%

Rentabilidade
Margem Bruta
= (lucro Bruto/Vendas Líquidas)×100
Margem Operacional  = Lucro Operacional/Vendas Líquidas)×100
Margem Líquida  = (Lucro Líquido/Vendas Líquidas)×100
ROE
= (Lucro Líquido/Patrimônio Líquido)×100
Rentabilidade Investimento
= Lucro Operacional/Ativo
Giro do Ativo
= Vendas Líquidas/Ativos



4.5.1. Rentabilidade do Ativo
Indica o quanto a empresa obtém de lucro comparado com o seu investimento total, ou seja, o total de seu Ativo. É o retorno sobre o investimento (do inglês Return On Investiment).

ROI é uma sigla para a expressão em inglês return on investment. Em português, significa retorno sobre o investimento. A definição não foge muito do que o próprio nome revela: a métrica do ROI serve para que seja possível medir o valor financeiro obtido como retorno para cada unidade monetária investida.

Mais objetivamente, no nosso contexto, o ROI responde com precisão quantos reais são faturados para cada real investido em uma determinada campanha ou ação de marketing.

Costuma-se aceitar que uma campanha teve ROI positivo quando o valor gerado em vendas é suficiente, pelo menos, para cobrir os custos do investimento — embora o cenário ideal seja de vários reais gerados para cada real investido.

Cada organização pode, ainda, incluir na sua fórmula de cálculo do seu ROI fatores relacionados à margem de lucro dos seus produtos ou serviços (vale lembrar que um e-commerce tem margens muito mais apertadas do que um SaaS, por exemplo). Essas variáveis devem ser definidas pelos gestores para que sejam utilizados parâmetros adequados à realidade da sua empresa.

De forma geral, a fórmula mais aceita para o cálculo do ROI é a seguinte:
Regra de três (1=100%)
                                         custo do investimento R$ — 1
(retorno do investimento – custo do investimento) R$ — ROI
ROI = (retorno do investimento – custo do investimento)/custo do investimento

Multiplique o ROI por 100 para obter o valor em porcentagem (%).
Isso significa dizer que você vai considerar o retorno total do investimento subtraído do valor investido para encontrar o valor absoluto que resultou de uma ação ou campanha específica. Em seguida, você vai dividir esse valor pelo custo do investimento para encontrar a razão — que, nesse caso, corresponderá ao ROI efetivo.



Um exemplo de cálculo do ROI:
Para clarear o entendimento, vejamos um exemplo: digamos que um e-commerce tenha investido R$ 1.000,00 em um campanha do Google AdWords, tendo como resultado um faturamento de R$ 8.500,00. Aplicando a fórmula, teremos:

ROI = (R$ 8.500,00 – R$ 1.000,00) ÷ R$ 1.000,00

Nesse caso, o ROI será o número absoluto de 7,50, ou 750%, caso você prefira utilizar o formato percentual.

Em um cenário mais realista, seria adequado incluir a margem de lucro da loja nesse cálculo. Vamos considerar que esta seja de 40%, o que deixaria a fórmula da seguinte maneira:

ROI = (R$ 8.500,00 – R$ 1.000,00 × 0,4) ÷ R$ 1.000,00

Nesse caso, o ROI seria 3 ou 300%.


4.5.2. Retorno sobre o Ativo Total (ROA)
O retorno sobre o ativo total (em inglês, Return on Asset – ROA) também conhecido como retorno sobre o investimento, mede o retorno sobre o ativo total depois de juros e impostos. Este índice é considerado um dos mais importantes, pois indica a lucratividade da empresa em relação aos investimentos totais, representados pelo ativo total médio. A fórmula para calcular o ROA é a seguinte:
Regra de três (1=100%)
Ativo Total R$      — 1
Lucro Líquido R$  —  ROA ⇒ Retorno sobre o Ativo Total = Lucro Líquido / Ativo Total

Multiplique o ROA por 100 para obter o valor em porcentagem (%).
Quanto maior for o rendimento da empresa sobre o total dos ativos, melhor, e quanto mais capitalizada a empresa for, menor será o ROA. Se uma empresa apresentar um baixo índice de retorno sobre o ativo total, sua capacidade de geração de receita operacional será insuficiente, ou ela está pagando altas despesas com juros. Para uma melhor interpretação do ROA, será necessário comparar com períodos passados, a fim de ver a evolução da empresa ao longo do tempo. Além disso, comparar o ROA com outras empresas do setor é fundamental a fim de descobrir se essa empresa apresenta uma vantagem competitiva perante seus concorrentes.

4.5.3. Retorno sobre o Patrimônio Líquido (ROE)
O retorno sobre o patrimônio líquido (em inglês, Returno on Equity – ROE), indica quanto de prêmio os acionistas e proprietários estão obtendo em relação aos seus investimentos na empresa, isto é, o patrimônio líquido. A fórmula para calcular o retorno sobre o patrimônio líquido é a seguinte:
Regra de três (1=100%)
Patrimônio Líquido R$ — 1
Lucro Líquido R$        — ROE ⇒ Retorno sobre o Patrimônio Líquido = Lucro Líquido / Patrimônio Líquido

Multiplique o ROE por 100 para obter o valor em porcentagem (%).
O ROE também é considerado um índice muito importante, pois ele mede a capacidade de uma empresa de agregar valor a ela mesma utilizando recursos próprios, fazendo com que ela cresça usando somente aquilo que ela já tem. Assim como o ROA, é importante verificar a evolução do índice ao longo do tempo, além de comparar com o índice de outras empresas.

Por exemplo, um lucro de R$ 20 milhões para uma empresa de R$ 100 milhões de patrimônio significa um retorno de 20% sobre o capital investido por acionistas. Esse retorno pode ser comparado com o de outras empresas (do mesmo setor), ou de outros investimentos (ex.: poupança, renda fixa etc.).


4.5.3.1. Grau de Alavancagem Financeira
O grau de alavancagem financeira (GAF) é um importante indicador do grau de risco do qual a empresa está submetida, isto é, se há presença de capital de terceiros de longo prazo na estrutura de capital, identificando se a empresa está alavancada ou não. A fórmula para calcular o grau de alavancagem financeira é a seguinte:
Grau de alavancagem financeira = ROE/ROA

Classes, definições e finalidade dos Indicadores de Rentabilidade (IR):
Classe de Índice Definições Notação Matemática O que mede? Quem se interessa mais diretamente? Informação utilizada
Margem Bruta (MB) Lucro Bruto/ Receita Bruta         LB
MB = -------
         RO
Parcela sobre as vendas que resta para cobrir demais despesas. Gestores, Acionistas e Credores Lucro Bruto e
Receita Bruta Total
Margem Operacional (MO) Resultado Operacional/ Vendas          LO
MO = -------
         RO
Mede a renda por unidade monetária de vendas após dedução de todos os custos e despesas (incluindo gastos com juros). Acionistas, Gestores Lucro Operacional e
Receita Bruta Total
Margem Líquida (ML) Lucro Líquido/ Vendas            LL
ML = -------
           RO
Mede a renda por unidade monetária de vendas após dedução de todos os custos e despesas (incluindo gastos com juros). Acionistas, Gestores Lucro Líquido e
Receita Bruta Total
Retorno sobre Patrimônio Líquido (ROE) Lucro Líquido/ Patrimônio Líquido           LL
ROE = -------
          RL
Retorno obtido com o capital provido pelos acionistas. Acionistas Lucro Líquido e
Patrimônio Líquido
Decomposição ROE Margem Líquida x
Giro Ativos x
Multiplicador do Capital Próprio (Alavancagem)
Componentes que contribuem para a geração de valor ao acionista Acionistas e Credores Lucro Líquido,
Ativo Total,
Receita Bruta Total e Patrimônio Líquido
Retorno sobre Ativos Totais (ROA) Lucro Líquido/ Ativo Total             LL
ROA = -----
            AT
Eficiência operacional em gerar lucros a partir dos ativos após os efeitos dos financiamentos Acionistas, Gestores e Credores Lucro Líquido e
Ativo Total
Decomposição ROA (Lucro Líquido/ Vendas) x (Vendas/ Ativo Total)          LL      V
ROA = ---- * ----
          V      AT
Eficiência operacional em gerar lucros a partir dos ativos após os efeitos dos financiamentos Acionistas, Gestores e Credores EBIT, 
Ativo Total
(Total ativos
Impostos/EBIT)
Grau de Alavancagem Financeira (GAF) Razão ROE/ ROA-           ROE
GAF = --------
          ROA
Grau com que a empresa consegue alavancar o retorno do acionista com emprego de capital de terceiros. Acionistas ROE e
ROA-

Os índices de rentabilidade possuem relação direta com a gestão de ativos das empresas, sua política de investimento/desinvestimento e forma de financiamento de seus ativos. Particularmente, o ROE sofre de três deficiências: não leva em conta a perspectiva histórica, oferecendo uma visão de médio prazo; leva em conta o valor de livro do Patrimônio Líquido, que pode ser muito diferente do valor de mercado, e tem pouco a dizer acerca do risco do negócio associado ao nível de endividamento da companhia.

Embora o ROA não apresente esta última deficiência (uma vez que toma o valor total do ativo que em muitas situações é financiado por recursos de terceiros), sofre influência da estratégia de investimento da empresa. Desta forma, o ROA pode ser muito distorcido pelo nível de endividamento e, portanto, deve ser olhado com cuidado na comparação de dois negócios diferentes.

ANÁLISE DAS MARGENS DE LUCRO
Indicador Magem Bruta
Lucro Bruto
Receita Líquida
Indica o percentual remanescente da receita líquida após dedução dos custos
MARGEM OPERACIONAL LUCRO OPERACIONAL*
RECEITA LÍQUIDA
*Já ajustado pelas despesas financeiras (vide reclassificação)
Indica o percentual que restou da receita líquida após dedução das despesas operacionais (excluída a despesa financeira)
MARGEM LÍQUIDA LUCRO LÍQUIDO
RECEITA LÍQUIDA
Indica o percentual da receita líquida que sobrou após deduzidas todas as despesas e computados as outras receitas e despesas, a provisão para o IR e participações.

ANÁLISE DAS TAXAS DE RETORNO
RETORNO DOS ATIVOS LUCRO OPERACIONAL
 ATIVO TOTAL
Medida que considera a rentabilidade pura das operações básicas da empresa (principal e acessória), não incluindo o efeito do endividamento, nem o tributário. Indica quanto a empresa gera de lucro para cada $ investido Identifica o grau de eficiência com que os ativos são usados para a realização das vendas. Custo máximo que a empresa deve assumir em relação as suas dívidas
RETORNO DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO LUCRO LÍQUIDO
PATRIMÔNIO LÍQUIDO
Mensura o retorno dos recursos aplicados por seus proprietários. Quanto a empresa obteve de lucro para cada $ de capital próprio investido. O retorno dos proprietários dependem das seguintes variáveis: formas de financiamentos dos ativos, retornos dos ativos e custo da dívida. Essa taxa pode ser comparada com outros rendimentos alternativos do mercado.


4.6. Índices de Valor de Mercado


Antes de estudar os índices reveja o que são grandezas diretamente proporcionais e inversamente proporcionais.
Grandezas Diretamente Proporcionais:

a 1/a 2 = constante  
a 1 ↑aumenta ⇒ a 2 ↑aumenta e vice-versa.
a 1 ↓diminui ⇒ a 2 ↓diminui e vice-versa.
Isso acontece porque a divisão é igual a uma constante.

Grandeza Inversamente Proporcionais:
a 1×a 2 = constante  
a 1 ↑aumenta ⇒ a 2 ↓diminui e vice-versa.
a 1 ↓diminui ⇒ a 2 ↑aumenta e vice-versa.
Isso acontece porque a multiplicação é igual a uma constante.

Os índices de valor de mercado relacionam o preço da ação de uma empresa com seus lucros, fluxos de caixa e valor patrimonial. Eles são uma maneira de medir o valor das ações de uma empresa em comparação com a ação de outras empresas do mesmo ramo. Além disso, é possível achar o valor justo por ação. Esses índices ajudam os investidores a avaliarem as empresas em termo de risco e retorno, e muitas vezes utilizam essas informações para comprar e vender as ações da empresa. Os principais índices de valor de mercado são:

4.6.1. Índice de Preço por Lucro: P/L 

O índice de preço por lucro (em inglês, prince/earnings – P/E),  também chamado Preço sobre Resultado (PSR):
Fórmula:
Regra de três
Lucro por Ação R$ — 1
Preço por Ação      —  Índice P/L ⇒ P/L = Preço por Ação / Lucro por Ação

P
reço por ação: Cotação da Ação na Bolsa de Valores
Lucro por ação: Lucro Líquido da empresa para um certo período dividido pelo número de ações disponíveis no mercado, ou seja, lucro de uma só ação para o período escolhidos.
O P/L é um número puro que possibilita comparar o lucro de ações de preços diferentes. Quando maior o lucro, menor será o P/L, assim, escolher uma ação com P/L menor, se nada mudar, terá lucro maior.

O investidor trabalha com ação, que é a menor unidade do capital da empresa, esta fórmula divide o preço de uma só (1) ação pelo lucro que  esta mesma ação teve para um período de tempo já transcorrido. Isso quer dizer que a ação será valorizada com o retorno de dividentos. Então, QUANTO MENOR O P/L MAIOR É O LUCRO POR AÇÃO.
Parte-se da premissa que o lucro da empresa em um ano se repetirá nos anos seguintes. Dificilmente L será maior que P em um ano, geralmente P/L é maior que 1. P/L > 1.
Em inglês o P/L é traduzido como P/E, ou price to earnings.

O P/L indica o número de anos que se levará para ter um retorno igual ao capital investido, verifique a demonstração abaixo:


Em (I) é decorrente da própria fórmula.
Em (II) basta dividir por X para corresponder ao lucro líquido de 1 ação.
Em (III) cálcula o lucro líquido igual a 1 ação, isso levará Y anos que é igual a P/L.

Considerando o preço da ação igual a 1, que equivale a 100%, para um período qualquer, tem-se:
P/L = 0,5 significa que uma ação teve lucro de 2 = 200%.
P/L = 1 significa que uma ação teve lucro de 1 = 100%.
P/L = 2 significa que uma ação teve lucro de 0,5 = 50%.
P/L = 10 significa que uma ação teve lucro de 0,1 = 10%.
Ou seja, o P/L é um indicativo para compra de ação, pois quanto menor o P/L maior será o lucro.
P/L menor que zero significa prejuízo.
O P/L não é apenas um fator a ser avaliado.

Uma analogia simples e explicativa para entender o P/L é a seguinte: Suponha que você tenha investido R$1000 numa empresa cujo P/L é 8. Esse indicador diz que em 8 anos, você terá um lucro igual ao valor que comecou, ou seja, um lucro de R$1000.

Vamos a um exemplo prático, para um ação XXX (que só possui apenas ações ordinárias) valendo R$ 29,90:
Preço da ação: 29,90
Quantidade de ações ordinárias disponíveis no mercado: 2.542.180.000 (dado)
Lucro líquido nos últimos 12 meses: 5.996.790.000 (dado)
Portanto:
Lucro por ação = Lucro líquido/Quantidade de ações
Lucro por ação = 5.996.790.000 /2.542.180.000
Lucro por ação = 2,359

Aplicando a fórmula do P/L com os dados:
P/L = Preço da ação/Lucro por ação
P/L = 29,90 /2,359
P/L = 12,67

Obs.:
- Para papéis que possuem ações ordinárias e ações preferenciais o cálculo muda um pouco, é necessário fazer a média ponderada do Lucro por ação, cuja peso é a quantidade de ações: (preçoX.Qtx+preçoY.Qty)/(Qtx+Qty).

Existem várias formas de calcular o P/L.
– Lucro dos últimos 12 meses
– Lucro do último ano
– Projeção para o ano (expectativa)
– Lucro médio anual dos últimos 5 anos
– Lucro médio anual dos últimos 3 anos

Para investimentos de longo prazo é interessante analisar usando média dos últimos 5 anos, mas normalmente utiliza-se a projeção para o ano atual.

4.6.2. Índice de Preço por Fluxo de Caixa

Os preços das ações dependem da capacidade da empresa de gerar lucro e fluxo de caixa. Logo, o índice de preço/fluxo de caixa representa o valor que o investidor está disposto a pagar por um valor gerado a partir das operações de determinada empresa. A fórmula para calcular o índice de preço/fluxo de caixa é a seguinte:

É uma divisão simples:

Índice de Preço por Fluxo de caixa = Preço por Ação/Fluxo de Caixa por Ação

A taxa de preço/fluxo de caixa pode informar aos investidores aproximadamente quanto eles receberão por um valor de fluxo de caixa. Este índice é importante para identificar se comprar ações de uma determinada empresa será rentável no futuro, fazendo com que o preço da ação cresça e aumente e agregue valor ao acionista.

4.6.3. Valor Patrimonial por Ação

O valor patrimonial por ação é um índice simples que indica o valor da empresa do ponto de vista dos acionistas, isto é, o quanto os acionistas estão dispostos a pagar pelo patrimônio líquido da empresa. A fórmula para calcular o valor patrimonial por ação é a seguinte:
É uma divisão simple:
 Valor Patrimonial por Ação = Patrimônio Líquido/Ações em circulação

Achado o valor da conta acima, basta comparar com o preço que a ação está sendo negociada no mercado. Se os preços negociados no mercado estiverem menor que o valor patrimonial da empresa, poderá ser uma boa indicação para comprar as ações. Caso contrário, isto é, se o preço da ação negociado no mercado estive acima do valor patrimonial, poderá indicar que a empresa está sendo bem vista futuramente, e que os lucros futuros são promissores, ou também poderá indicar uma precificação errada do mercado.

4.6.4. Índice de Valor de Mercado por Valor Contábil

O índice de valor de mercado/valor contábil é a razão entre o valor de mercado de uma empresa e seu valor patrimonial, e expressa a valorização da empresa em relação aos seus dados contábeis. Quando esta relação é maior do que a unidade, significa que o mercado reconhece que determinada empresa vale mais do que seu valor contábil, ou seja, o mercado está valorizando algo que não está sendo registrado na contabilidade ou que está sendo de forma incompleta. Quando esta razão é menor que a unidade, significa que o mercado não está reconhecendo valores que a contabilidade está registrando em seus livros. A fórmula para calcular o índice de valor de mercado/valor contábil é a seguinte:
A fórmula é uma divisão simples:
Índice de valor de mercado por valor contábil = Preço de mercado por ação /Valor patrimonial por ação

O valor de mercado é o valor que os investidores estão dispostos a pagar em negociação na bolsa de valores, e o valor contábil é o valor da empresa com base no patrimônio líquido obtido pela diferença entre o ativo e o passivo.

4.6.5. Valor Intrínseco ou Preço Justo

Um dos principais conceitos da análise fundamentalista é o valor intrínseco. Trata-se de uma projeção do comportamento da ação com o objetivo de chegar no preço real da ação. Ou seja, quanto ela realmente deveria estar valendo no mercado. Esse conceito é também chamado de preço justo.
De uma forma bem simplista, isso significa que uma ação com preço justo de R$30,00 que está cotada a R$25,00, possui potencial de valorização.
Com isso, o investidor pode decidir pela compra do ativo, uma vez que irá manter o papel no longo prazo com a perspectiva de chegar no preço justo.
Vale lembrar que este é um exemplo simples e mesmo que o investidor chegue a um provável preço justo, não há garantia que o mesmo será atingido.

4.6.5.1. FLUXO DE CAIXA DESCONTADO:
O valor justo das ações que comentamos acima se define pelo valor presente de seus fluxos de caixa futuros.
O cálculo do valor intrínseco de um ativo é feito com base na avaliação dos números da empresa e suas projeções. Possui como principal instrumento o FCD (Fluxo de Caixa Descontado).
O FCD é uma projeção daquilo que a empresa poderá produzir no futuro, com os descontos do tempo que isto levará e dos riscos assumidos.
O cálculo é feito da seguinte forma:
O valor presente dos fluxos projetados representa o “valor da empresa”.
Por exemplo, suponha que uma empresa tenha tais projeções ao longo de 4 anos:
Ano 1: 50.000,00
Ano 2: 56.000,00
Ano 3: 65.000,00
Ano 4: 72.000,00
Para atualizar os dados acima para o presente, atualizaremos com a taxa de juros. Vamos considerar que essa taxa é 10% ao ano.

Ano 1: 50.000,00/(1,10) 1 = 45.454,54
Ano 2: 56.000,00/(1,10) 2 = 46.280,99
Ano 3: 65.000,00/(1,10) 3  =  48.835,46
Ano 4: 72.000,00/(1,10) 4 = 49.176,97
O valor da empresa de acordo com FCD é de R$189.747,96

Deste valor, é deduzida a dívida líquida, chegando ao "valor de mercado".

Finalmente, ao dividir o valor de mercado pelo quantidade de ações distribuídas pela empresa chega-se ao valor justo da ação.

O cálculo mostrado acima é um exemplo bastante simples apenas para ilustração. Se quiser saber mais, você pode conferir aqui um método do Fluxo de Caixa Descontado.

5. Pay-Out e Yield
Pay-Out: é a taxa de distribuição do lucro da empresa para os acionistas na forma de dividendos ou juros sobre o capital próprio. A legislação exige que seja distribuído, no mínimo, 25% do lucro líquido após as deduções legais.
Exemplo:
Se uma empresa tem lucro de R$ 1,00/ação e distribui R$ 0,35/ação como dividendos, seu pay-out seria de 35%.

Yield: é calculado tendo como numerador o dividendo distribuído por ação e como denominador  o preço atual da ação. Torna-se especialmente relevante se visto para o futuro, sendo neste caso necessário que tenhamos uma projeção de lucro e seja estabelecido um pay-out realista. Assim, se uma ação custa hoje R$ 100,00 e esperamos receber R$ 10,00 dividendos, o yield seria de 10%, podendo ser visto como um rendimento da ação, independentemente da valorização em Bolsa.

Cálculo do Yield:

Perceba que dividendo é o lucro de uma só ação e yield é o dividendo expresso em porcentagem em relação a essa mesma ação.

6. OUTROS INDICADORES
Analise fundamentalista e outros indicadores
Os dados da economia no Brasil e exterior também são avaliados na análise fundamentalista.
Os analistas fundamentalistas também ficam atentos aos indicadores econômicos do Brasil, e também é claro, do mercado exterior, como os Estados Unidos,  China e Zona do Euro.Tais indicadores influenciam os movimentos das Bolsas ao redor do mundo.

Exemplos:
DECISÃO DE POLÍTICA MONETÁRIA DO FED
A divulgação da decisão de política monetária pelo FED acontece a cada 45 dias e trata do aumento ou queda da taxa de juros.

Como os Estados Unidos são a economia mais estável do mundo, qualquer alteração na taxa básica de juros impacta o índice Bovespa e a cotação do dólar. Isso porque, dependendo do resultado, há um refluxo de dólares do Brasil para aquela economia.

LIVRO BEGE FED
Relatório sobre as atuais condições econômicas em cada um dos 12 distritos do Reserva Federal, cobrindo todo o território dos EUA. Divulgado oito vezes ao ano.

PAYROLL
Dados do mercado de trabalho norte americano, divulgados toda primeira sexta-feira do mês.

No Brasil, alguns indicadores importantes são:
DECISÃO DE POLÍTICA MONETÁRIA
Realizado a cada 45 dias pelo COPOM BC tem o objetivo de estipular uma meta para a taxa Selic.

IBC-BR (ÍNDICE DE ATIVIDADE ECONÔMICA DO BANCO CENTRAL DO BRASIL)
Indicador criado para tentar antecipar o resultado do PIB do país, sendo importante para a avaliação do nível de atividade econômica brasileira.

PREÇOS DAS COMMODITIES
Por ser um país exportador de commodities, é de extrema importância analisar a variação nos preços do petróleo e minério de ferro.

7. Mercados Futuros
É a negociação, em Bolsa, de contratos futuros financeiros como dólar, Ibovespa e agropecuários como boi gordo, café, milho, soja e etanol.
O Ibovespa Futuro é o contrato de derivativo que representa a pontuação do Índice Bovespa em uma data futura, portanto, um contrato que negocia a expectativa de pontuação do índice em certo prazo. É um dos contratos mais populares do mercado futuro.
O Ibovespa Futuro permite que o investidor ganhe mesmo que o mercado de ações caia. Basta que ele aposte na queda do mercado.

8. O Mercado de Opções
É o mercado em que são negociados direitos de compra ou venda de um lote de ações, com preços de exercícios preestabelecidos.
Esse mercado foi criado com o objetivo básico de oferecer um mecanismo de proteção ao mercado de ações contra perdas. Uma vez que os  preços e retornos dos instrumentos financeiros estão sujeitos a flutuações imprevisíveis, as opções podem ser usadas para adaptar o risco às experiências e metas do investidor.
Os participantes do mercado que usam opções para limitar os riscos de oscilações de preços (operações de "hedge") são conhecidos como "hedgers".
Entretanto, o mercado também precisa de participantes que estejam dispostos a assumir o risco: estes são chamados "especuladores".
Contudo, quando dois investidores se comprometem em uma operação a ser realizada no futuro, os riscos são evidentes. Um dos investidores pode tentar cancelar a operação ou  simpesmente pode não ser capaz de honrá-la financeiramente. Por esse motivo, todo capital aplicado em opções pode ser perdido, e o investidor (comprador) deve estar ciente desse risco.
Por sua vez, o lançador de uma opção dever ter capacidade de garantias para cobrir eventuais prejuízos potencialmente vultosos, bem como dispor de garantias sufuciente para atender às exigências de margem.
Opções de Compra e Venda:

CALL
PUT
Comprador
Tem o direito de comprar o ativo por um preço determinado
Tem o direito de vender um ativo por um preço determinado
Vendedor
Tem a obrigação de vender um ativo a um determinado preço
Tem a obrigação de comprar um ativo por um preço determinado

9. Risco da Ação X Risco do Mercado
Dois Fatores básicos:
- Risco Não Sistemático (ou Diversificável): bom desempenho da companhia em foco, sobretudo o desempenho futuro.
- Risco Sistemático: um bom andamento do mercado acionário no período para o qual se espera o retorno.
As modernas teorias sobre administração de carteiras mostram a possibilidade de anular o risco não sistemático na montagem de carteiras de ações.
- Premissa básica: boa liquidez dos títulos negociados em Bolsa.
- Liquidez em Bolsa, ações com baixa frequência de negócios nos pregões trazem um risco a mais para o investimento, pois não há garantia de que você vai conseguir negociá-las sem dificuldades.  Para que um mercado seja eficiente, a boa liquidez dos títulos negociados é premissa básica.


10. Resumo:
Patrimônio líquido (PL), valor de mercado (VM) e valor justo (VJ) de uma companhia aberta com ações em bolsa:
O PL é uma medida contábil que representa a parcela dos acionistas após se deduzir do ativo, todos os passivos. Inicialmente o PL é constituído pelo aporte inicial dos sócios e, posteriormente, vai se alterando com os lucros/prejuízos incorridos pela companhia. Além do aporte inicial, podem ocorrer novos aumentos de capital ao longo do tempo o que também contribui para a elevação do PL. Importante dizer que o PL reflete o passado da companhia.

O VM é uma medida de mercado que avalia a cada momento o PL atual da empresa. O VM é obtido multiplicando-se a quantidade total de ações pela cotação atual da ação em bolsa. Como consequência, o VM pode ser maior ou menor que o PL. Diferente do que muitos pensam, as ações de uma empresa que estejam negociadas abaixo do múltiplo P/VPA (Preço por Valor Patrimonial por Ação), que é equivalente a divisão VM/PL, não necessariamente estão baratas. Por quê? O PL reflete os custos passados e não necessariamente representam a realidade. Portanto, uma análise baseada exclusivamente no múltiplo P/VPA deve ser evitada, assim como todas as análises feitas com indicadores isolados. Uma companhia é um sistema complexo e sua análise requer um conjunto de informações e indicadores.

Por último, o VJ (ou Valor Intrínseco) busca avaliar a empresa com base nas perspectivas futuras de geração de riqueza. O VJ é normalmente calculado pelo método do fluxo de caixa descontado (DCF). O VJ pode estar acima ou abaixo tanto do VM quanto do PL. Em um processo de IPO (oferta inicial de ações), o que o investidor deve ter como referência básica é o VJ e não o PL ou mesmo o VM. Ele deve olhar as expectativas futuras e não o passado ou mesmo o presente. Os resultados históricos são importantes para se constatar a consistência da empresa, mas o que fará a ação se valorizar são os resultados futuros e sua sustentabilidade ao longo do tempo.


11. Nota Inglês:
pay (peɪ): s. 1. pagamento, 2. salário, soldo; v. 1. pagar, I was paid the sum: a importância me foi paga. it has been paid for: já está pago. I’ll pay for the dinner: pagarei o jantar; 2. dar lucro.
Expressões:
in the pay of: ao serviço de.
to pay a call: ir ao banheiro.
to pay away: desembolsar, gastar.
to pay back: restituir, devolver.
to pay down: pagar de entrada.
to pay in: depositar.
to pay off: pagar, remunerar.
to pay out: despender, pagar.
to pay up: saldar, liquidar.
yield (jild): s. 1. rendimento, lucro, produto; 2 producão; v. 1. render, 2. produzir, 3. dar, conceder, consentir, permitir, aquiescer, autorizar.
commodity (kəˈmɑdəti): s. produto, mercadoria.
hedge (hɛdʒ): s. cerca viva.


Referências:
http://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae
http://www.ibracon.com.br/ibracon/Portugues/index.php
http://www.portaldecontabilidade.com.br/
http://www.cnc.min-financas.pt/sobre.html
http://www.cpc.org.br/CPC/