Língua Portuguesa: Regência Nominal e Concordância Nominal

1. Preâmbulo
O assunto a ser tratado será sobre regência nominal e concordância nominal. Outro assunto que vale a pena ser lembrado é o DECRETO Nº 6.583, DE 29 DE SETEMBRO DE 2008 (LINK)
Promulga o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, assinado em Lisboa, em 16 de dezembro de 1990.
1.1. A Nomenclatura Gramatical Brasileira

Foi estabelecida por portaria do Ministério da Educação e Cultura e recomendada para adoção no ensino programático da Língua Portuguesa e nas atividades que visem a verificação do aprendizado, nos estabelecimentos de ensino e abrange as três divisões da gramática: fonética, morfologia e sintaxe.

NOMENCLATURA GRAMATICAL BRASILEIRA (NGB):
NOMENCLATURA GRAMATICAL BRASILEIRA (NGB)
Uniformização e simplificação da Nomenclatura Gramatical Brasileira, de acordo como trabalho aprovado pelo Sr. Ministro Clóvis Salgado, elaborado pela Comissão designada na Portaria Ministerial número 152/57, constituída pelos Professores Antenor Nascentes, Clóvis do Rêgo Monteiro, Cândido Jucá (filho), Carlos Henrique da Rocha Lima e Celso Ferreira da Cunha, e assessorada pelos Professores Antônio José Chediak, Serafim Silva Neto e Sílvio Edmundo Elia.
Rio de Janeiro, 1958.

Exmo Sr. Ministro de Estado da Educação e Cultura
A Comissão, abaixo assinada, tem a honra de passar às mãos de V.Ex.a o Anteprojeto de Simplificação e Unificação da Nomenclatura Gramatical Brasileira, já em redação final.
O presente Anteprojeto é resultante não só de um reexame, pela Comissão, do primitivo, mas ainda do estudo, minucioso e atento, das contribuições remetidas à CADES pela Academia Brasileira de Filologia do País, pela Secretaria de Educação do Rio Grande do Sul e, individualmente, por numerosos e abalizados professores de Português.
Releva salientar que a Comissão, ao considerar as modificações propostas, teve sempre em mira a recomendação de V.Ex.a constante da Portaria Ministerial nº 152- “uma terminologia simples, adequada e uniforme”- bem como atender ao tríplice aspecto fixado nas Normas Preliminares de Trabalho:
a) a exatidão científica do termo;
b) a sua vulgarização internacional;
c) a sua tradição na vida escolar brasileira.
Agradecendo, mais uma vez, nesta oportunidade, a distinção e a confiança com, que contemplou V.Ex.a, a Comissão renova a V.Ex.a os protestos de alto apreço e distinta consideração.
Antenor Nascentes
Clóvis do Rêgo Monteiro
Cândido Jucá (filho)
Carlos Henrique da Rocha Lima
Celso Ferreira da Cunha
Assessores:
Antônio José Chediak
Serafim Silva Neto   
Sílvio Edmundo Elia.

PORTARIA Nº 36, DE 28 DE JANEIRO DE 1959
O Ministro do Estado da Educação e Cultura, tendo em vista as razões que determinaram a expedição da Portaria nº 152, de 24 de abril de 1957, e considerando que o trabalho proposto pela Comissão resultou de minucioso exame das contribuições apresentadas por filólogos e lingüistas, de todo o País, ao Anteprojeto de Simplificação e Unificação da Nomenclatura Gramatical Brasileira, resolve:
Art.1º - Recomendar a adoção da Nomenclatura Gramatical Brasileira, que segue anexa à presente Portaria, no ensino programático da Língua Portuguesa e nas atividades que visem à verificação do aprendizado, nos estabelecimentos de ensino.
Art.2º - Aconselhar que entre em vigor:
a) para o ensino programático e atividades dele decorrentes, a partir do início do primeiro período do ano letivo de 1959;
b) para os exames de admissão, adaptação, habilitação, seleção e do art. 91 a, partir dos que se realizarem em primeira época para o período letivo de 1960.

Clóvis Salgado

DIVISÃO DA GRAMÁTICA: Fonética, Morfologia e Sintaxe.
INTRODUÇÃO: Tipos de Análise: Fonética, Morfológica e Sintática.
PRIMEIRA PARTE
Fonética
I – A FONÉTICA pode ser: Descritiva, Histórica e Sintática.
II – FONEMAS: vogais, consoantes e semivogais.
1. Classificação das vogais – Classificam-se as vogais:
a) quanto à zona de articulação, em: anteriores, médias e posteriores;
b) quanto ao timbre, em: abertas, fechadas e reduzidas;
c) quanto ao papel das cavidades bucal e nasal, em: orais e nasais;
d) quanto à intensidade, em: átonas e tônicas.
2.Classificação de consoantes – classificam-se as consoantes:
a) quanto ao modo de articulação, em: oclusivas, constritivas: fricativas, laterais e vibrantes;
b) quanto ao ponto de articulação, em: bilabiais, labiodentais, linguodentais, alveolares, palatais e velares;
c) quanto ao papel das cordas vocais, em: surdas e sonoras;
d) quanto ao papel das cavidades bucal e nasal, em: orais e nasais.
III –
1. Ditongos – Classificam-se os ditongos em: crescentes e decrescentes; orais e nasais.
2. Tritongos – Classificam-se os tritongos em: orais e nasais.
3. Hiatos.
4. Encontros Consonantais.
Nota: Os encontros – ia, ie, io, ua, eu, uo finais, átonos, seguidos ou não de s, classificam-se quer como ditongos, quer como hiatos uma vez que ambas as emissões existem no domínio da Língua Portuguesa: histó-ri-a e histó-ria; sé-ri-e e sé-rie; pá-ti-o e pá-tio; ár-du-a e ár-dua; tê-nu-e e tê-nue; vá-cu-o e vá-cuo.
IV – Sílaba – Classificam-se os vocábulos, quanto ao número de sílabas, em: monossílabos, dissílabos, trissílabos e polissílabos
V – Tonicidade:
1. Acento: principal e secundário.
2. Sílabas: átonas: pretônicas e postônicas; subtônicas; tônicas.
3. Quanto ao acento tônico, classificam-se os vocábulos em: oxítonas, paroxítonas e proparoxítonas.
4. Classificam-se os monossílabos em: átonos e tônicos.
5. Rizotônico; arrizotônico.
6. Ortoepia.
7. Prosódia.
Nota: São átonos os vocábulos sem acentuação própria, isto é, os que não têm autonomia fonética, apresentando-se como sílabas átonas do vocábulo seguinte ou do vocábulo anterior.
São tônicos os vocábulos com acentuação própria, isto é, os que têm autonomia fonética.
Pode ocorrer que, conforme mantenha, ou não, sua autonomia fonética, o mesmo vocábulo seja átono numa frase, porém, tônico em outra. Tal pode acontecer, também, com vocábulos de mais de uma sílaba: serem átonos numa frase, mas tônicos em outra.
SEGUNDA PARTE
Morfologia
Trata a Morfologia das palavras:
1. Quanto a sua estruturação e formação.
2. Quanto a suas flexões e
3. Quanto a sua classificação.
I - Estrutura das palavras:
a) Raiz; Radical; Tema; Afixo; prefixo e sufixo; Desinência: nominal e verbal; Vogal temática;
Vogal e Consoante de ligação.
b) Cognato.
II – Formação das palavras:
1 – Processo de formação de palavras: Derivação; Composição;
2 – Hibridismo.
III – Flexão das palavras: quanto à sua flexão as palavras podem ser: variáveis ou invariáveis.
IV - Classificação das palavras: substantivos, artigo, adjetivo, numeral, pronome, verbo advérbio,
preposição, conjunção e interjeição.
I – Substantivos
1. Classifica-se os substantivos em: comuns e próprios; concretos e abstratos.
2. Formação do substantivo: primitivo e derivado; simples e composto.
3. Flexão do substantivo:
a) em gênero: masculino; feminino, epiceno; comum de dois gêneros; sobrecomum.
b) em número: singular e plural;
c) em grau: aumentativo; diminutivo.
II – Artigo
1. Classificação do artigo: definido, indefinido.
2. Flexão do artigo:
a) gênero: masculino e feminino;
b) número: singular e plural.
III – Adjetivo:
1. Formação do adjetivo: primitivo e derivado; simples e composto.
2. Flexão do adjetivo:
a) em gênero: masculino e feminino;
b) em número: singular e plural;
c) em grau: comparativo de igualdade; de superioridade (analítico e sintético); de inferioridade.
Superlativo: relativo (de superioridade de inferioridade); absoluto (sintético e analítico).
3. Locução adjetiva.
IV – Numeral:
1. Classificação do numeral: cardinal, ordinal, multiplicativo e fracionário.
2. Flexão do numeral: em gênero: masculino e feminino; em número: singular e plural.
V – Pronome
1. Classificação do pronome: pessoal: reto, oblíquo (reflexivo, não reflexivo); de tratamento; possessivo; demonstrativo; indefinido; interrogativo; relativo.
Nota: Os que fazem as vezes de substantivos chama-se pronomes substantivos; os que acompanham os substantivo, pronomes adjetivos.
2. Flexão do pronome:
a) em gênero: masculino e feminino.
b) em número: singular e plural.
c) em pessoa: primeira, segunda e terceira.
3. Locução pronominal.
VI – Verbo
1. Classificação do verbo: regular, irregular, anômalo, defectivo, abundante, auxiliar.
2. Conjugações: três são as conjunções: a primeira com o tema terminado em “A”; a Segunda com o tema terminado em “E”; a terceira com o tema terminado em “I”.
Nota: O verbo “pôr” ( e os dele formados) constitui anomalia da 2ª conjugação.
3. Formação do verbo: primitivo e derivado; simples e composto.
4. Flexão do verbo:
a) de modo: indicativo, subjuntivo e imperativo;
b) formas nominais do verbo: infinitivo: pessoal (flexionado e não flexionado), impessoal; gerúndio; particípio;
c) de tempo: presente; pretérito: imperfeito (simples e composto); perfeito (simples e composto); mais que perfeito (simples e composto); futuro do presente (simples e composto) e do pretérito (simples e composto).
Nota: A denominação futuro do pretérito (simples e composto) substitui a de condicional (simples e composto);
d) de número: singular e plural;
e) de pessoa: três são as pessoas do verbo: 1ª, 2ª e 3ª;
f) de voz: ativa; passiva (com auxiliar, com pronome apassivador); reflexiva.
5. Locução verbal.
VII – Advérbio:
1. Classificação do advérbio:
a) de lugar; de tempo; de modo; de negação; de dúvida; de intensidade; de afirmação;
b) advérbios interrogativos: de lugar, de tempo, de modo, de causa.
2. Flexão do advérbio: de grau: comparativo; de igualdade, de superioridade e de inferioridade; superlativo absoluto (sintético e analítico); diminutivo.
3. Locução adverbial.
Notas:
a) Podem alguns advérbios estar modificando toda a oração.
b) Certas palavras, por não se poderem enquadrar entre os advérbios terão classificação à parte.
São palavras que denotam exclusão, inclusão, situação, designação retificação, afetividade, realce, etc.
VIII – Preposição:
1. Classificação das preposições: essenciais, acidentais.
2. Combinação.
3. Contração.
4. Locução prepositiva.

IX – Conjunção:
1. Classificação das conjunções: coordenativas: aditivas, adversativas, alternativas, conclusivas, explicativas; subordinativas: integrantes, causais, comparativas, concessivas, condicionais, consecutivas, finais, temporais, proporcionais e conformativas.
Nota: As conjunções que, porque, porquanto, etc., ora têm valor coordenativo, ora subordinativo;
no primeiro caso, chama-se explicativas, no segundo, causais.
2. Locução conjuntiva

X - Interjeição
Locução interjectiva.

XI –
1. Palavra.
2. Vocábulo.
3. Sincretismo. Sincrético.
4. Forma variante.
5. Conetivo.

TERCEIRA PARTE
Sintaxe
A – Divisão da sintaxe:
a) Concordância: nominal e verbal.
b) Regência: verbal e nominall
c) Colocação.
Nota: Na colocação dos pronomes oblíquos, adotem-se as denominações de próclise, mesóclise e ênclise.
B – Análise Sintática:
I – Da Oração:
1. Termos essenciais da oração: sujeito e predicado.
a) Sujeito: simples, composto, indeterminado; oração sem sujeito.
b) Predicado: nominal, verbal, verbo-nominal.
c) Predicativo: do sujeito e do objeto.
d) Predicação verbal: verbo de ligação; verbo transitivo (direto e indireto); verbo intransitivo.
2. Termos integrantes da oração:
a) complemento nominal;
b) complemento verbal: objeto (direto e indireto);
c) agente da passiva.
3. Termo acessórios da oração:
a) adjunto adnominal;
b) adjunto adverbial;
c) aposto.
4. Vocativo
II – Do período:
1. Tipos de período: simples e composto.
2. Composição do período: coordenação e subordinação.
3. Classificação das orações:
a) absoluta;
b) principal;
c) coordenada: assindética; sindética: aditiva, adversativa, alternativa, conclusiva, explicativa;
d) subordinada; substantiva: subjetiva, objetiva (direta e indireta), completiva-nominal, apositiva, predicativa; consecutiva, concessiva, condicional, conformativa, final, proporcional e temporal.
As orações subordinadas podem apresentar-se, também, com os verbos numa de suas FORMAS NOMINAIS; chamam-se, neste caso, reduzidas: de infinitivo, de gerúndio, de particípio, as quais se classificam como as desenvolvidas: substantivas (subjetiva etc.), adjetivas adverbiais (temporais etc.).
Notas: 1. Coordenadas entre si podem estar quer principais, quer independentes quer
subordinadas (desenvolvidas ou reduzidas).
2.Devem ser abandonadas as classificações:
a) de lógico e gramatical, ampliado e inampliado, completo e incompleto, total, parcial, para qualquer elemento oracional;
b) de oração quanto à forma (plena, elítica etc.), quanto ao conetivo (conjuncional, não conjuncional, relativa).
3. Na classificação da oração subordinada bastará dizer-se: oração subordinada substantiva (subjetiva etc.); oração subordinada adjetiva (restritiva, explicativa); oração subordinada adverbial (causal etc.).

APÊNDICE
I – Figuras de Sintaxe – Anacoluto, elipse, pleonasmo e silepse.
II – Gramática Histórica – Aférese, altura (som), analogia, apócope, assimilação (total, parcial, progressiva, regressiva), consonantismo, dissimilação (total, parcial, progressiva, regressiva), ditongação, divergente, elisão, empréstimo, epêntese, etimologia, haplologia, hiperbibasmo, intensidade (som), metáfase, mesalização, neologismo, palatalização, paragoge, patronímico, prótese, síncope, sonorização, substrato, superstato, vocalismo, vocalização.
III – Ortografia – Abreviatura, alfabeto, dígrafo (grupo de letras que representam um só fonema.
Ex.: ch (chave), gu (guerra), qu (quero), rr (carro), lh (palha), ss (passo), nh (manhã); homógrafo, homônimo, letra (maiúscula e minúscula). Notações léxicas: acento agudo, grave, circunflexo, apóstrofo, cedilha, hífen, til e trema, sigla.
IV – Pontuação – Aspas, asteriscos, colchete, dois-pontos, parágrafo(§), parênteses, ponto-deexclamação,
ponto-de interrogação, ponto-e-vírgula, ponto-final, reticências, cedilha, travessão, vírgula.
V – Significação das palavras – Antônimo, homônimo, sentido figurado.
VI – Vícios de linguagem – Barbarismo, cacofonia, preciosismo, solecismo.


1.1.1. Fonética
Refere se aos elementos sonoros da linguagem, ex: palavras átonas e tônicas, ditongo, tritongo e hiato, etc.
1.1.2. Morfologia
Referente a formas, estruturas e formações das palavras, ex: prefixo, sufixo, verbo, advérbio etc.
Do grego, a palavra morfologia corresponde a união dos termos morfo (forma) e logia (estudo).
1.1.3. A sintaxe
Tem como foco principal a análise estrutural dos termos que compõem as orações e os períodos, tendo em vista as relações que se estabelecem entre estes.
Compreende, portanto, o estudo dos:
- Termos essenciais da oração: sujeito e predicado;
- Termos integrantes da oração: complementos verbais, complemento nominal e agente da passiva;
- Termos acessórios: adjunto adnominal, adjunto adverbial, aposto e vocativo.

Divisão da Sintaxe
a) de concordância b) de regência c) de colocação
Concordância verbal
Exemplo:
Os alunos ficaram entusiasmados com o passeio no museu.

A primeira opção é aquela que estabelece correta combinação entre o verbo e o sujeito. Se o sujeito está no plural, o verbo da oração deverá ser flexionado na terceira pessoa do plural: eles ficaram.

Concordância nominal
Exemplo:
Os alunos indisciplinados foram suspensos da escola.
O substantivo alunos concorda com seus determinantes, que podem ser artigo, numeral, pronome ou adjetivo. A concordância nominal é, portanto, a combinação entre os nomes de uma oração.

Sintaxe de Regência
A sintaxe de regência ocupa-se do estudo dos tipos de ligação (preposições) existentes entre um verbo (regência verbal) ou nome (regência nominal) e seus complementos . Dessa maneira, haverá os termos regentes, aqueles que precisam de um complemento, e os termos regidos, aqueles que complementam o sentido dos termos regentes.

Regência verbal
A regência verbal ocupa-se do estudo da relação estabelecida entre os verbos e os termos que os complementam ou caracterizam. Estudá-la nos permite aprimorar nossa capacidade expressiva, pois a partir da análise de uma preposição um mesmo verbo pode assumir diferentes significados. Exemplos:
Os alunos implicaram-se nas provas. (implicar: confundiram-se)
Os alunos implicaram com o novo coordenador. (implicar: ter implicância, aversão).

Regência Nominal:
A regência nominal estuda a relação existente entre um nome (substantivo, adjetivo ou advérbio) e os termos por ele regidos. É a partir da análise da preposição que essa relação será construída. Exemplos:
A nova tarifa é acessível a todos os cidadãos.
O horário das aulas será mudado.
Eles preferiram ficar longe de todos.

Na regência nominal é interessante observar que alguns nomes apresentam o mesmo regime dos verbos de que derivam: se você conhece o regime de um verbo, conhecerá também o regime dos nomes cognatos, ou seja, dos nomes que têm a mesma raiz ou origem etimológica:
Exemplos:
As crianças devem obedecer às regras.(obedecer: verbo)
Eles foram obedientes às regras. (obediente: nome cognato)

Sintaxe de Colocação
Na colocação dos pronomes oblíquos átonos, adota-se as denominações de próclise, mesóclise e ênclise.
Os pronomes oblíquos átonos, embora possam ser dispostos de maneira livre (exista uma norma culta), possuem uma posição adequada na oração. Existem três possíveis colocações para os pronomes oblíquos átonos:
Próclise: o pronome será posicionado antes do verbo.
Exemplos:
Não se esqueça de comprar novos livros.
Não me fale novamente sobre esse assunto.
Aqui se vive melhor do que na cidade grande.
Tudo me incomoda quando não estou em casa.
Quem te chamou para a festa?

Mesóclise: será empregada quando o verbo estiver no futuro do presente ou no futuro do pretérito do indicativo. O pronome surge intercalado ao verbo. A mesóclise é mais encontrada na linguagem literária ou na língua culta e, havendo possibilidade de próclise, ela deverá ser eliminada.
Exemplos:
Dizer-lhe-ei sobre tuas queixas (Direi + lhe)
Convidar-me-iam para a formatura, mas viajei para o campo. (convidariam + me)

Ênclise: o pronome surgirá depois do verbo, obedecendo à sequência verbo-complemento. Exemplos:
Diga-me o que você fez nas férias.
Espero encontrar-lhe na festa hoje à noite.
Acolheram o filhote abandonado, dando-lhe abrigo e comida.

Termos da oração:
Termos
Sintaxe
Conceito
Exemplo
Essenciais
Sujeito
Termo responsável por realizar  ou  sofrer
uma ação ou estado.
O menino jogou futebol.
Predicado
É tudo aquilo que se diz ou o que se
declara sobre o sujeito.
O menino jogou futebol.
Integrantes
Objeto direto
É o termo da oração que se liga ao verbo
sem o auxílio de uma preposição.
O menino jogou futebol.
(jogou o quê?)
Objeto indireto
É o termo da oração que se liga ao verbo
com o auxílio de uma preposição
Preciso de sal.
(Preciso de quê?)
Complemento
nominal
É o termo que completa o sentido de
uma palavra que não seja verbo.
Tenho interesse na compra.
Agente da
passiva
É o termo da frase que pratica a ação
expressa pelo verbo quando este se
apresenta na voaz passiva.
A comida foi feita por ela.
(Na voz ativa: Ela fez a comida.)
Acessórios
Adjunto adnomial
É o termo que determina, especifica ou
explica um substantivo (adjetivo, pronome,
numeral e artigo)
A casa é azul.
Adjunto adverbial
É o termo que possui função de advérbio
na oração
Eu cheguei depois de você.
(Adjunto adverbial de tempo)
Aposto
É um termo que se junta a outro de valor
substantivo ou pronominal para explicá-lo
ou especificá-lo melhor.
Manuel, um padeiro, acorda sempre
muito cedo.
Vocativo
Não possui função
sintática.
É um termo que serve para invocar o
receptor da emnsagem.
João, venha aqui.
* O adjunto adnominal apresenta uma função adjetiva, pode ser representado por um adjetivo, por uma locução adjetiva, por um pronome adjetivo, por um numeral adjetivo ou por um artigo. Pronome adjetivo e numeral adjetivo acompanham o substantivo.

2. Regência Nominal (nome: substantivo, adjetivo ou advérbio)
É a relação que um nome estabelece com o seu complemento através de uma preposição. Esse nome é o termo regente que pode ser um substantivo, um adjetivo ou um advérbio, ou seja, uma palavra que não seja verbo.  O complemento é o termo regido, chamado de complemento nominal, completa o significado do nome, que teria o seu sentido incompleto sem esse complemento. O complemento nominal  pode ser representado por um substantivo, por um pronome, por um numeral e até por uma oração subordinada substantiva completiva nominal.

Termo Regente

Complemento Nominal
Substântivo
Adjetivo
Advérbio
Preposição
Substântivo
Pronome
Numeral
O. Sub. Subs. CN

Para estabelecer a regência nominal, as preposições mais utilizadas são: a, de, com, em, para, por.
Exemplos de regência nominal:
a
de
com
acessível a
agradável a
alheio a
análogo a
anterior a
apto a
atento a
avesso a
cego a
cheiro a
comum a
contrário a
desatento a
equivalente a
estranho a
favorável a
fiel a
grato a
horror a
idêntico a
inacessível a
indiferente a
inerente a
necessário a
nocivo a
oposto a
perpendicular a
posterior a
prestes a
surdo a
visível a
amante de
amigo de
ávido de
capaz de
cheio de
cobiçoso de
contemporâneo de
desejoso de
diferente de
difícil de
digno de
dotado de
fácil de
impossível de
incapaz de
inimigo de
livre de
longe de
louco de
maior de
natural de
obrigação de
orgulhoso de
passível de
possível de
sedento de
seguro de
sonho de
amoroso com
aparentado com
caritativo com
compatível com
cruel com
cuidadoso com
descontente com
furioso com
impaciente com
intolerante com
liberal com
solícito com
em
para
por
doutor em
exato em
firme em
hábil em
incessante em
indeciso em
interesse em
lento em
morador em
negligente em
parco em
perito em
primeiro em
versado em
apto para
bastante para
bom para
essencial para
impróprio para
inútil para
mau para
pronto para
próprio para
admiração por
ansioso por
devoção por
respeito por
responsável por

2.1. Regência Nominal e Regência Verbal
Enquanto na regência nominal o termo regente é um nome, na regência verbal o termo regente é um verbo.
Assim, a regência verbal é a relação que um verbo estabelece com os seus complementos (objeto direto e objeto indireto), bem como o adjunto adverbial, que o caracteriza.
Alguns verbos necessitam obrigatoriamente de uma preposição para estabelecer regência verbal.

Significado de Sintagma
Combinação de duas formas ou unidades linguísticas elementares em que uma, funcionando como determinante, cria um elo de subordinação com outra, dita determinada: sintagma lexical, locucional, nominal, verbal, oracional, etc.

Sintagma Nominal
Em qualquer enunciado, os signos linguísticos ligam-se uns aos outros formando grupos. Esses grupos são chamados sintagmas. Um sintagma nominal é um grupo que tem como base ou núcleo um substantivo ou termo equivalente (como um adjetivo "substantivado" através de derivação imprópria: Ex. O belo.)

Exemplo 1:
Identificando os elementos que estruturam o sintagma nominal da frase abaixo.
Frase: Os seus três recentes livros foram lançados ontem.
Núcleo do sintagma nominal: livros (substantivo);
Artigo: os;
Pronome: seus;
Numeral: três;
Adjetivo: recentes;

Observações:
1) Palavras invariáveis (não se flexionam)
Algumas palavras não se flexionam em gênero e número. São elas: os advérbios, as conjunções e as preposições, portanto não concordam com o substantivo.
Uma das dificuldades da concordância nominal é saber diferenciar o adjetivo do advérbio.
– Adjetivo é modificador do substantivo;
– Adverbio é modificador do verbo ou do próprio advérbio.
Em alguns casos podemos usar ora o advérbio que é invariável, ora o adjetivo que é variável.

Observe os exemplos abaixo:
Exemplo1:
Frase: Vamos falar sério.
sério é advérbio, significa seriamente, portanto é invariável

Frase: Vamos falar sérios.
sérios é um adjetivo que concorda com o sujeito oculto nós.

Exemplo 2:
Frase Incorreta: Sempre digo que não estamos .
só: adjetivo
Frase correta: Sempre digo que não estamos sós.
sós: adjetivo, concorda com o sujeito oculto nós.

Exemplo 3:
Frase incorreta: Os policiais estavam em alertas.
Frase correta: Os policiais estavam em alerta.
em alerta: locução adverbial.

Exemplo 4:
Frase incorreta: Recebeu bastante elogios.
Frase correta: Recebeu bastantes elogios
bastantes: pron. indef. (= muitos).


2.2. Complemento Nominal (subs. abstrato, adj. ou adv. + prep. + CN)
É o termo que completa o sentido de uma palavra que não seja verbo. Assim, pode referir-se a substantivos abstratos, adjetivos ou advérbios, sempre por meio de preposição.
Exemplos:
Cecília tem

orgulho

subs. abs.
da filha.

comp. nominal

Ricardo estava

consciente

adjetivo
de tudo.

comp. nominal
    
A professora agiu

favoravelmente

advérbio
aos alunos.

comp. nominal

O complemento nominal representa o recebedor, o paciente, o alvo da declaração expressa por um nome. É regido pelas mesmas preposições do objeto indireto. Difere deste apenas porque, em vez de complementar verbos, complementa nomes (substantivos, adjetivos) e alguns advérbios em -mente.

É importante notar que a maior parte dos nomes que exigem um complemento nominal para ter seu sentido completo são nomes derivados de verbos transitivos, aqueles que precisam de um complemento verbal (um objeto direto ou indireto). Como “A construção do metrô”, em que o nome construção é derivado do verbo “construir”; ou “A necessidade de mudança é urgente”, em que o nome “necessidade” é derivado do verbo "necessitar"; ou ainda “A promoção do supermercado”, em que o nome “promoção” é derivado do verbo “promover”.

Como grande parte dos vocábulos nominais em Língua Portuguesa, o complemento nominal também pode ser substituído por um pronome. Os pronomes oblíquos, em geral as formas átonas (me, te, se, o, a, lhe, nos, vos, se, os, as, lhes) podem figurar em substituição à forma de complemento verbal com preposição.
Exemplos:
Tenha-me consideração.
Tenha consideração por mim.

Viajar não me seria conveniente neste momento.
Viajar não seria conveniente para mim neste momento.

Caminhar lhe era saudável.
Caminhar era saudável a ele/ela.

Exemplos de complemento nominal:
merecedor do Prêmio Nobel
confiança na medicina
invenção da locomotiva
atenção ao cliente
necessidade de dormir
contrário à pena de morte
acima da lei
capaz de nadar
prejudicado pelos irmãos

Exemplos:
Os amigos estavam à espera de notícias.
As crianças têm loucura por brinquedos.
Estou contente com os resultados.
O público é ávido de informações.
O sonho dele era saltar de pára-quedas. (pron.)
A vitória de um é a conquista de todos. (numeral)
O medo de que lhe furtassem as jóias a mantinha afastada daqui. (oração subor. comp.nom.)

3. Concordância Nominal
A concordância nominal se baseia na relação entre um substantivo (ou pronome, ou numeral substantivo) e as palavras que a ele se ligam para caracterizá-lo (artigos, adjetivos,  pronomes adjetivos, numerais adjetivos e particípios).
Nome é uma caracterização dada às seguintes classes de palavras:
Substantivo, artigo, adjetivo, pronome adjetivo e numeral adjetivo. Essas 5 classes de palavras formam juntas, em uma frase, o que podemos chamar de sintagma nominal. Concordância nominal é a ação de concordar, harmonizar os nomes uns com os outros em uma construção frasal.

Chamamos de concordância o princípio sintático segundo o qual, na frase, as palavras determinantes adaptam-se às palavras das quais dependem. Isso significa que os nomes e os verbos de uma oração devem concordar com os demais termos.
Os termos determinantes (artigos, numerais e pronomes), e os termos modificadores (os adjetivos) concordam com o termo determinado, que pode ser o substantivo ou o pronome substantivo, em gênero e número.
Sendo assim, quem indica a concordância nominal, genero (masculino/feminino) ou número (plural/singular) é o substantivo, que é o núcleo do sintagma nominal.

3.1. Adjetivo com função de Adjunto Adnomial
A concordância do adjetivo com a função de adjunto adnomial ocorre de acordo com as seguintes regras gerais:
3.1.1. Concordância do Adjetivo com um Substantivo
O adjetivo concorda em gênero e número quando se refere a um único substantivo.
Exemplo:
As mãos trêmulas denunciavam o que sentia.

3.1.2.  Concordância do Adjetivo com Vários Substantivos
Quando o adjetivo se refere a vários substantivos, a concordância pode variar. Podemos sistematizar essa flexão nos seguintes casos:
3.1.2.1. Adjetivo Anteposto aos Substantivos
O adjetivo concorda em gênero e número com o substantivo mais próximo.
Exemplo:
Encontramos caídas as roupas e os prendedores.
Encontramos caída a roupa e os prendedores.
Encontramos caído o prendedor  e a roupa.

Caso os substantivos sejam nomes próprios ou de parentesco, o adjetivo deve sempre concordar no plural.
Exemplo:
As adoráveis Fernanda e Cláudia vieram me visitar.
Encontrei os divertidos primos e primas na festa.

3.1.2.2. Adjetivo Posposto aos Substantivos
- O adjetivo pode concordar com o substantivo mais próximo;
- Para substantivos de generos diferentes o adjetivo posposto pode concordar no plural e no masculino;
- Para substantivos de generos iguais o adjetivo posposto pode concordar no plural e mesmo genero dos substantivos.
Exemplos:
A indústria oferece localização e atendimento perfeito.
A indústria oferece atendimento e localização perfeita.
A indústria oferece atendimento e localização perfeitos.

Obs.: o último exemplo apresenta maior clareza, pois indica que o adjetivo efetivamente se refere aos dois substantivos. Nesse caso, o adjetivo foi flexionado no plural masculino, que é o gênero predominante quando há substantivos de gêneros diferentes.
Exemplos:
A beleza e a inteligência feminina(s).
O carro e o iate novo(s).

3.2. Expressões Formadas pelo Verbo SER + Adjetivo
- O adjetivo fica no masculino singular, se o substantivo não for acompanhado de nenhum modificador.
Exemplo:
Água é bom para saúde.

- O adjetivo concorda com o substantivo, se este for modificado por um artigo ou qualquer outro determinativo.
Exemplo:
Esta água é boa para saúde.

- O adjetivo concorda em gênero e número com os pronomes pessoais a que se refere.
Exemplo:
Juliana as viu ontem muito felizes.

- Nas expressões formadas por pronome indefinido neutro (nada, algo, muito, tanto, etc.) + preposição DE + adjetivo, este último geralmente é usado no masculino singular.
Exemplo:
Os jovens tinham algo de misterioso.

- A palavra "só", quando equivale a "sozinho", tem função adjetiva e concorda normalmente com o nome a que se refere.
Exemplo:
Cristina saiu só.
Cristina e Débora saíram sós.

Obs.: quando a palavra "só" equivale a "somente" ou "apenas", tem função adverbial, ficando, portanto, invariável.
Exemplo:
Eles só desejam ganhar presentes.

3.3. Quando um único substantivo é modificado por dois ou mais adjetivos no singular, podem ser usadas as construções:
- O substantivo permanece no singular e coloca-se o artigo antes do último adjetivo.
Exemplo:
Admiro a cultura espanhola e a portuguesa.

- O substantivo vai para o plural e omite-se o artigo antes do adjetivo.
Exemplo:
Admiro as culturas espanhola e portuguesa.

3.4. Adjetivo com Função de Predicativo do Sujeito
Quando o adjetivo exercer a função de predicativo do sujeito, ele deverá concordar com todos os elementos do sujeito:
Exemplo:
A
cozinha

sujeito
e os
banheiros

sujeito
estavam

v. ligação
sujos.

pred.suj.


3.5. Adjetivo com Função de Predicativo do Objeto
Quando o adjetivo exercer a função de predicativo do objeto, ele deverá concordar em gênero e número com o núcleo do objeto. Se houver dois ou mais núcleos de gêneros diferentes, ele deve ir para o masculino plural:

Vimos

VTD
as portas e os carros

OD
destruídos

pred. do obj.


Vimos

VTD
destruídos

pred. do obj.
as portas e os carros

OD.
    

Um e outro/Nem um e nem outro
As expressões um e outro e nem um e nem outro deixam o substantivo no singular, mas o adjetivo deve ir para o plural:
Exemplos:
Abordamos um e outro caso inacreditáveis.
Não encontramos nem um nem outro diretor reeleitos.

3.6. Numerais Ordinais
Quando houver na oração numerais ordinais, o substantivo pode ficar tanto no singular ou no plural, contanto que todos os numerais estejam antecedidos de artigo:
Exemplos:
Perdi a primeira e a segunda sessão.
Perdi a primeira e a segunda sessões.

3.7. Mesmo, próprio, quite, leso, incluso, anexo, obrigado, entre outros
Devem concordar normalmente com a palavra a que fazem referência.
Exemplos:
Ele mesmo disse isso.
Eles mesmos disseram isso.
Ela mesma disse isso.
Elas mesmas disseram isso.

3.8. Bastante, meio, caro, barato e só
Sofrem variação quando têm valor de adjetivo.
Exemplo:
Havia bastante gente no supermercado.
Tenho bastantes discos de vinil.
Tomei meia taça de vinho.
Tomei várias meias taças de vinho.
Ela sempre gostou de sapatos caros.
Ela nunca gostou de roupas baratas.
Meus primos sempre moraram sós.

3.9. Substantivo anteposto a vários adjetivos
Quando estiverem antepostos a vários adjetivos, os substantivos admitem três construções:
- Plural ou Singular: os adjetivos sem artigo.
Estudo as culturas angolana e portuguesa.
Estudo a cultura angolana e brasileira.
- Singular: adjetivos com artigo
Estudo a cultura angolana e a portuguesa.

3.10. Sujeito sem artigo ou pronome demonstrativo
O adjetivo permanecerá invariável quando o sujeito não for determinado por artigo ou por pronome demonstrativo:
Exemplo:
Pizza é gostoso.
Dieta é bom para emagrecer.
É proibido entrada.

Caso o sujeito for determinado por artigo ou pronome demonstrativo, a concordância deverá ser feita normalmente:

A pizza daquele restaurante é gostosa.
A dieta dos pontos é boa para emagrecer.
É proibida a entrada de menores de dezoito anos.

3.11. As palavras pseudo, alerta, monstro e menos são invariáveis
Exemplos:
Aqueles voluntários são pseudocaridosos.
Para evitar assaltos, é preciso estar sempre alerta.
Houve manifestações monstro em frente ao Congresso Nacional.
Os brasileiros ganharam menos medalhas que os cubanos.

3.12. Adjetivo Composto
Quando houver um adjetivo composto, somente o último elemento sofrerá flexão, tanto de gênero quanto de número:
Exemplos:
Meus avós são franco-brasileiros.
As guerras greco-romanas marcaram a civilização ocidental.
Em São Paulo, há várias comunidades nipo-brasileiras.

3.13. Palavras que indicam cor
- Geralmente, deverão concordar em gênero e número com o substantivo a que se referem quando desempenhar função de adjetivo:
Exemplo:
Ficou com os olhos vermelhos de tanto chorar.
Nuvens negras cobriam a cidade.
Estas bananas ainda estão verdes.

- Quando a palavra que indica cor derivar de um substantivo, deverá permanecer invariável:
Exemplos:
Comprei duas blusas rosa.
Alice gostava de vestidos violeta.

- Quando for um nome composto e o segundo termo for um substantivo, ficará invariável:
Exemplos:
Ela comprou cortinas amarelo-ouro para a sala.
Carlos está vestindo uma camisa verde-bandeira.

- Quando os termos “claro” e “escuro” indicarem tonalidade da cor, somente eles sofrerão flexão:
Exemplos:
O rapaz tem belos olhos azul-claros.
Quero aquelas saias verde-escuras que vi na vitrine.

- Azul-marinho e azul-celeste são sempre invariáveis:
Exemplos:
A empresa comprou uniformes azul-marinho para os funcionários.
Ele gosta de camisas azul-celeste.

3.14. Casos Especiais
- Anexo, incluso, leso, mesmo, próprio, quite e obrigado.
Concordam com o substantivo a que se referem:
3.14.1. Anexo
- Como adjetivo: concorda com o substantivo a que se relaciona em gênero e número.
Exemplos:
O endereço do remetende está expresso na carta anexa à documentação.
Enviei anexas as cartas cada uma com seu respectivo relatório.
No processo de compra, não estavam anexos os orçamentos.
- Como advérbio: permanece invariável.
Exemplo:
O documento segue anexo.
- Como substantivo: apresenta flexão de genero e número.
Exemplo:
Esqueci de incluir o anexo.
3.14.2. Em anexo
É locução adverbial, invariável.
Exemplo:
Em anexo, encaminho os documentos.
Em anexo, encaminho a correspondência.
Encaminho os documentos em anexo.
3.14.3. Incluso
É utilizado da mesma forma que anexo.
Exemplos:
Remeto a V.S.as., INCLUSA nesta pasta, uma fotocópia do recibo.
Remeto a V.S.as. o recibo INCLUSO nesta pasta.
3.14.4. Leso
É adjetivo e, como tal, flexiona-se.
Exemplos:
Cometeu crime de leso-patriotismo.
Ajudar esses espiões seria crime de lesa-pátria.
3.14.5. Mesmo
- Como adjetivo: é variável e equivale a idêntico, igual, análogo.
Exemplos:
"Os fantasmas não fumam, porque poderiam fumar a si mesmos." (Mário Quintana)
Os alunos mesmos organizaram o trabalho.
"A viagem do sono nem sempre é a mesma viagem." (Paulo Mendes Campos)
"Percorrera aquela mesma senda, aspirava aquele mesmo vapor que baixava denso do céu verde." (L.F. Telles)
- Como advérbio: é invariável e corresponde a justamente, exatamente, ou ainda, até.
Exemplos:
"Você esperneia, revolta-se - adianta? Mesmo sua revolta foi protocolada." (C.D.A.)
"Livro raro, mesmo, é aquele que foi emprestado e foi devolvido." (Plínio Doyle)

Obs:
- Não se deve dizer: conosco mesmos ou convosco mesmos; o correto é: com nós mesmos e com vós mesmos.
- Para os casos abaixo, vale a mesma observação a respeito de MESMO enquanto adjetivo. Exemplos:
Eu PRÓPRIA conferi a carga, disse a secretária.
OBRIGADO, respondeu o chefe.
A esposa do chefe também não cansava de dizer OBRIGADA.
Estou QUITE com minhas dívidas.
Estamos QUITES com o serviço militar. (a forma do particípio passado do verbo quitar, flexiona-se em número)

3.14.6. É PRECISO, é NECESSÁRIO, é BOM, é PROIBIDO e expressões equivalentes
- Referindo-se a nomes sem elementos determinantes, essas expressões ficam invariáveis:
É PRECISO força para trabalhar e estudar.
É NECESSÁRIO segurança para se viver bem.
É BOM plantação de erva-cidreira para afugentar formigas.
Água é BOM.
É PROIBIDO entrada de pessoas estranhas ao serviço.
- Com nomes acompanhados de elemento determinante, essas expressões concordam com ele em gênero e número:
SERIAM PRECISOS vários bombeiros para deter o incêndio.
É NECESSÁRIA a tua compreensão.
É BOA a plantação de erva-cidreira para afugentar formigas.
A água é BOA para a saúde.
É PROIBIDA a entrada de animais.
"Não viu o letreiro: 'É expressamente PROIBIDA a entrada'?" (C. D. A.)

3.14.7. Só - Sós
- Só (adjetivo) corresponde a sozinho, único, solitário e apresenta flexão de número, concordando com a palavra a que se refere.
Exemplos:
Eles estão SÓS.
"Outros estão SÓS, como tu, mas presos a uma inibição ou a uma disciplina." (C.D.A)
"...sabia cozinhar, arrumar a casa e servir com eficiência a senhor SÓ." (Fernando Sabino)
- Só (advérbio) corresponde a somente, unicamente, apenas e não se flexiona: é invariável. Exemplos:
Ele SÓ falou bobagens.
"SÓ não sai de moda quem está nu." (Mário Quintana)
"Vende-se uma cama da casal usada uma noite SÓ." (Leon Eliachar).

Obs: Existem as locuções a só e a sós, esta mais frequente, equivalente a sem companhia: é invariável.
Exemplos:
Eles ficaram a sós.
O casal ficará a sós.
" - Amigo João Brandão - disse pausadamente o homem quando ficaram a sós..." (C.D.A)

3.14.8. BASTANTE(s)
pode ser:
- Como advérbio de intensidade é invariável.
Ele ficou BASTANTE preocupado.
Os pós-graduandos estudam BASTANTE.
- Como pronome indefinido (= muitos) flexiona-se.
Naquela classe há BASTANTES rapazes.

3.14.9. MEIO
- Com função de advérbio de intensidade é invariável.
Ando MEIO distraída ultimamente.
"Sentava calado, com a cara MEIO triste, um ar sério." (Rubem Braga)
Existem maridos que são MEIO surdos: sempre que suas mulheres lhes pedem 50 eles só ouvem 25." (Leon Eliachar)
- Com função de numeral (metade) flexiona-se.
É MEIO dia e MEIA. (meia hora)
Ele comeu MEIO bolo sozinho.

3.14.10. MENOS - ALERTA - PSEUDO - A OLHOS VISTOS
São sempre invariáveis.
Na classe, há MENOS moças que rapazes.
Mais amor e MENOS confiança.
"Devora-se a infeliz mísera gente: E sempre reduzida a MENOS terra." (Santa Rita Durão)
"A cidade, aliás, está parecendo mais civilizada: com MENOS gente, MENOS carros, dir-se-ia mais habitável..." (Cláudio Abramo)
Lúcia emagreceu A OLHOS VISTOS.

ALERTA, segundo Antenor Nascentes, trata-se de uma interjeição militar; era um grito que se proferia à aproximação do inimigo. José Pedro Machado confirma a informação. Logo, por ter valor interjectivo, permanece invariável. Outros o consideram advérbio (em estado de prontidão) e, assim, também, permanece invariável.
Exemplos:
"Antes ouvido a revolta da cidade, estiverão mais ALERTA." (apud José Pedro Machado - texto arcaico) / "Duas sentinelas sempre ALERTA." (Alencar apud Cândido Jucá Filho) / Na porta dos bancos, os seguranças ficam ALERTA.
   
Trata-se de PSEUDO-especialistas.

4. Adjunto Adnominal
Adjunto adnominal e adjunto adverbial são conceituados como Termos Acessórios da Oração, pois funcionam como complemento da mesma, não sendo indispensáveis para a compreensão do enunciado.
Adjunto Adnominal
É  o termo que tem valor de adjetivo, servindo para especificar ou delimitar o significado de um substantivo em qualquer que seja a função sintática exercida por este.
Diferentemente do complemento nominal (que completa o sentido de um substantivo abstrato, adjetivo ou advérbio e vem sempre regido de preposição), o adjunto adnominal é utilizado para especificar ou determinar apenas o substantivo, qualquer que seja a função que este desempenhe na oração.
Fazem parte do quadro dos Adjuntos Adnominais:
Adjetivos:
O

adj. adn.
dia

sujeito
ensolarado

adj. adn.
está

v. ligação
contagiante.

pred. suj.

Seu

adj.adn.
sorriso

sujeito
maroto

adj.adn.
é

v. ligação
lindo

pred.suj.

Locuções Adjetivas:
O passeio de campo

sujeito
nos

obj.
deixou

v. ligação
exaustas.

pred.suj.
A água da chuva regou todas as plantas.
Pronome adjetivo:
Minha culpa é meu segredo.
Este teu jeito calmo assombra.
Artigos:
Um novo sonho ressurgiu.
Os alunos surpreenderam os professores.
Numerais:
O primeiro candidato já se apresentou.
A décima colocada no concurso é muito esforçada.
Orações adjetivas:
Não quero saber do lirismo que não é libertação.
Admiro as pessoas que persistem.

5. Adjunto Adverbial
É o termo da oração que modifica, que funciona como advérbio, indicando a circunstância da ação do adjetivo ou de outro advérbio.
Essas circunstâncias podem expressar:
Afirmação: Hoje, com certeza, irei ao clube.
Negação: O trabalho não ficou como era esperado.
Intensidade: Esta é uma questão muito fácil de resolver.
Dúvida: Talvez eu vá precisar de sua ajuda.
Tempo: Durante todo o tempo ela se mostrou insatisfeita.
Companhia: Comemoraremos com os amigos o bom resultado do vestibular.
Causa: Rimos durante toda a reunião por nervosismo.
Finalidade: Eu estudo para obter boas notas.
Lugar: Estamos em Brasília desde a semana passada.
Meio ou Instrumento: Ele se feriu com a faca.
Modo: Calmamente fomos nos interagindo durante o evento.
Assunto: A matéria jornalística falava sobre o meio ambiente.

6. Complemento Nominal x Adjunto Adnominal e Adjunto Adverbial
O adjunto adnominal pode ser representado por palavras ou locuções de valor adjetivo e sempre acompanhem um núcleo substantivo em qualquer função sintática.
Os adjuntos adnominais podem ser representados por várias classes gramaticais: artigos, pronomes adjetivos, adjetivos, locução ou expressão adjetiva, numeral:
Exemplos:
O lápis é do meu amigo. (artigo definido) (pronome adjetivo)
Paulo é um garoto inteligente. (artigo indefinido) (adjetivo)
A professora defendeu os direitos dos alunos e também dos professores. (locução adjetiva)
Ela providenciou um prêmio justo. (artigo indefinido)
Tinha olhos azuis, pele aveludada e cabelos escuros. (adjetivo)

- Somente os substantivos podem ser acompanhados de adjuntos adnominais; já os complementos nominais podem ligar-se a substantivos, adjetivos e advérbios. Assim, fica claro que o termo ligado por preposição a um adjetivo ou a um advérbio só pode ser complemento nominal. Quando não houver preposição ligando os termos, será um adjunto adnominal.

- O complemento nominal equivale a um complemento verbal, ou seja, só se relaciona a substantivos cujos significados transitam. Portanto, seu valor é passivo, é sobre ele que recai a ação. O adjunto adnominal tem sempre valor ativo.
Exemplos:
1) Camila tem muito amor à mãe.
A expressão "à mãe" classifica-se como complemento nominal, pois mãe é paciente de amar, recebe a ação de amar.
2) Vera é um amor de mãe.
A expressão "de mãe" classifica-se como adjunto adnominal (locução adjetiva), pois mãe é agente de amar, pratica a ação de amar.
3) A crítica do autor foi cruel. (sentido ativo, logo adjunto adnominal)
4) A crítica ao autor foi cruel. (sentido passivo, logo complemento nominal)

Enquanto o complemento nominal tem a função de completar um nome, o adjunto adnominal caracteriza um substantivo. O adjunto adnominal é um termo acessório da oração.
Exemplos:
Detesto a demora do ônibus. (complemento nominal)
Ainda não comprei os presentes de Natal. (adjunto adnominal)

O Completo Nominal, ao contrário do Adjunto Adnominal, complementa adjetivos e advérbios.
Exemplos:
Estavam radiantes com as suas notas. (complemento nominal do adjetivo radiantes)
Música alta faz mal aos ouvidos. (complemento nominal do advérbio mal)